Procuradoria vai investigar entrevista de Riquelme
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terça-feira, 26 de setembro de 2006
Maigue Gueths<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O Colégio de Procuradores da Justiça, que se reuniu em caráter emergencial ontem de manhã, decidiu por unanimidade delegar à Procuradoria Geral da Justiça a responsabilidade sobre a investigação que irá avaliar as declarações do procurador-geral de Justiça do Paraná, Milton Riquelme de Macedo, à imprensa, a respeito das investigações sobre as interceptações telefônicas clandestinas envolvendo o policial civil Délcio Rasera.
O objetivo principal é descobrir as circunstâncias em que Riquelme concedeu entrevista veiculada por duas televisões do Estado, cujo teor foi reproduzido na íntegra, no dia seguinte, no programa político da Coligação Paraná Forte, que tem como candidado o governador licenciado Roberto Requião (PMDB). Na entrevista, Riquelme afirma que a ação de Rasera tinha caráter particular, e que não tinha ''nenhuma participação de órgão governamental''. O próprio Riquelme pediu ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE), posteriormente, a retirada de sua entrevista do programa político.
Na reunião, os procuradores da Justiça esperavam ouvir Riquelme, que é a autoridade máxima do MP no Estado. Um dia antes, no entanto, o procurador-geral apresentou ao MP um pedido de licença para tratamento de saúde, e não compareceu. Um dos questionamentos à Riquelme refere-se ao fato de que o procurador-geral não deveria se pronunciar sobre o caso, uma vez que as investigações ainda não foram concluídas pela Promotoria de Investigações Criminais (PIC), órgão vinculado ao MP e responsável pela desarticulação da suposta quadrilha de grampos, no dia 6 de setembro. O outro questionamento é específico em relação à entrevista, que foi ao ar, inicialmente, na TV Tarobá e TV Mercosul-Canal 21, no dia 12 de setembro.
O colégio apresentou os esclarecimentos solicitados junto a César Setti, sócio da produtora C. Setti, responsável pela entrevista, e do editor-chefe da TV Tarobá Marcos Giraldi. Setti negou que seja responsável pela produção dos programas do PMDB, mas admitiu que sua empresa produz imagens de deputados federais e estaduais e que ''eventualmente'' tem imagens capturadas pela coligação Paraná Forte. A entrevista, segundo ele, teria sido uma iniciativa da produtora que, depois, teria oferecido o material à TV Tarobá e ao Canal 21.
Giraldi, por sua vez, afirmou que Setti era contratado da TV até o final de agosto e que não tinha mais vínculos com a empresa. A TV Tarobá, segundo ele, avaliou a entrevista como sendo ''de interesse público'' e decidiu veiculá-la. ''Qual não foi nossa surpresa ao ver a mesma entrevista no dia seguinte no horário político. Só aí vi o interesse político da matéria'', diz Girardi, que em suas respostas garante que a TV pretende tomar as medidas judiciais cabíveis contra Setti, que teria usado o nome da TV Tarobá indevidamente para obter a entrevista do procurador-geral.
O caso, agora, vai para a Corregedoria Geral da Justiça, que deverá ouvir Riquelme, concluir as investigações e reenviar as conclusões ao Colégio. Este, por sua vez, pode decidir pelo arquivamento do processo, pode recomendar ao corregedor-geral do Ministério Público a instauração de procedimento disciplinar ou até mesmo propor à Assembléia Legislativa a destituição de Riquelme do cargo de procurador-geral de Justiça.


