A Mesa Executiva da Câmara de Londrina solicita hoje ao Gaeco cópias de todo o procedimento de investigação referente ao suposto pagamento de 'mensalinho' a nove vereadores, por parte da empresa Transportes Coletivos Grande Londrina (TCGL). É com base nessa documentação que a Procuradoria Jurídica da Casa deverá emitir um parecer decisivo sobre a abertura ou não de processo contra os vereadores Sidney de Souza, Luiz Carlos Tamarozzi (ambos do PTB), Jamil Janene (PMDB), Gláudio Renato de Lima (PT), Flávio Vedoato (PSC), Osvaldo Bergamin (sem partido), Renato Araújo, Sandra Graça e Marcelo Belinati (os três, do PP). A medida foi recomendada ontem em parecer da Procuradoria, segundo a qual, conforme a FOLHA antecipou, se manifestaria pelo não-arquivamento da representação assinada por um grupo de 22 pessoas e pela inclusão de documentos capazes de conferir consistência fática ao material.
O parecer assinado pelo procurador Airvaldo Stella Alves, datado do último dia 12, mas entregue à assessoria, para divulgação, apenas ontem, coloca a necessidade de se abrir o procedimento investigatório, ''por um imperativo legal inafastável'', mas elenca uma série de ''cautelas de estilo e exigências legais'' a serem obervadas. Desembargador aposentado, o procurador classifica como ''patogenia' a ''admissão incondicionada de uma representação contra um agente público, parlamentar ou não'', de forma ''arbitrária, tão somente pelos humores ou paixões pessoais de cada um, dentro das excentricidades ou critérios personalíssimos, ou, em alguns casos, como de vindita aos desafetos políticos, algumas vezes decorrente de campanha eleitoral renhida''. Por outro lado, o parecer sustenta que o ''Poder Público não pode ocultar as mazelas de qualquer de seus agentes políticos''; adiante, pondera ser ''inadmissível justificar uma atuação que fere o decoro funcional, principalmente quando a imputação é de corrupção, (...) maior flagelo de nosso país''.
Outro ponto questionado no parecer, desta vez pela Mesa, foi quanto à situação do corregedor Tamarozzi. Alves sustentou que eventual afastamento dele, do posto, seria necessário somente ''em caso de prova inequívoca da verossimilhança da acusação'', o que foi descartado, a princípio.
A vice-presidente, Maria Ângela Santini (PT), disse que discutiria hoje com os demais membros da Mesa a recomendação do parecer para, em seguida, solicitar a documentação referente ao caso TCGL ao Gaeco - que constam, basicamente, de depoimentos de Orlando Bonilha (PR) e Roberto Fu (PDT) citando o suposto pagamento, negado pelos acusados e pela empresa.

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