Procuradoria pede ao STF condenação de Zélia
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 11 de julho de 1997
Agência Estado Brasília 
Arquivo FolhaZélia Cardoso: cheques de fantasmas na conta e passagens aéreasA Procuradoria-Geral da República pediu ontem ao Supremo Tribunal Federal (STF) a condenação da ex-ministra da Economia Zélia Cardoso de Mello no processo em que é acusada de receber dinheiro do esquema PC, para reajustar tarifas para ônibus estaduais e interestaduais, após o congelamento de preços determinado pelo Plano Collor.
Segundo as alegações finais do Ministério Público, a denúncia contra Zélia tem forte respaldo documental e testemunhal. Se o processo é um caminhar para diante, a hipótese é tranquilamente de condenação, observa o parecer dos procuradores da República Haroldo Ferraz da Nóbrega e Paulo Rocha Campos.
A ex-ministra é acusada de ter se beneficiado de dinheiro do esquema PC - comandado por Paulo César Farias, ex-tesoureiro de campanha do ex-presidente Fernando Collor -, para atender suas despesas pessoais, inclusive a reforma de uma casa em São Paulo. Em contrapartida, Zélia teria autorizado reajuste de preços nas tarifas do transporte rodoviário solicitado pela Associação Nacional das Empresas de Transporte Coletivo Interestadual e Internacional de Passageiros (Rodonal). A ex-ministra foi indiciada por crime de corrupção passiva.
Segundo o parecer do Ministério Público, os vínculos de Zélia com o esquema PC eram tão fortes que a ex-ministra recebeu em sua conta bancária dois cheques do fantasma Alberto Alves Miranda. Um deles, era de NCz$ 222 mil, correspondentes na época a 281 salários mínimos (R$ 33.720). De uma só penada, por meio de um único depósito, Zélia ganhou quatro vezes mais o salário mensal do presidente da República, afirmaram os procuradores.
Além disso, segundo os procuradores, a ex-ministra da Economia teria viajado de Brasília a São Paulo e Rio de Janeiro, com passagens pagas pelo esquema PC. Os bilhetes teriam custado na época US$ 12,9 mil. Neste mesmo período, a Rodonal depositou nas contas-fantasmas comandadas por PC Farias cerca de US$ 3 milhões. Segundo testemunhas que foram ouvidas durante o inquérito, a decisão sobre os reajustes de tarifas de transportes coletivos era de competência de Zélia.


