Patrícia Zanin
De Londrina
A Procuradoria da República em Londrina está analisando cópias de documentos sobre as investigações do aumento do patrimônio da família do prefeito Antonio Belinati (PFL). A remessa foi feita pelo Ministério Público (MP), que investiga as denúncias. Segundo o MP, a Procuradoria entrou no caso, há três semanas, porque os desdobramentos envolvem questões fiscais que podem culminar com quebra do sigilo bancário da família e checagem do Imposto de Renda.
Um dos alvos da investigação é um apartamento no edifício Arkádia, um dos mais luxuosos da cidade, no centro de Londrina. A moradora do 7º andar do prédio, Maria Lizonette dos Santos, declarou à promotoria ter comprado o imóvel de Cíntia Belinati, uma das filhas do prefeito.
O depoimento de Maria Lizonette e do marido dela, o advogado Vandocir José dos Santos, consta do inquérito civil aberto pelo MP. O inquérito inclui ainda o depoimento do agrônomo Célio Senedese, que afirmou ter vendido o imóvel ao prefeito entre janeiro e fevereiro de 98.
No depoimento, Senedese revelou ter feito negócio com o próprio Belinati, por R$ 450 mil à vista, e com pagamento em dólar. ‘‘Foi assinado um contrato particular de compra e venda, no qual constavam como adquirentes os três filhos de Antonio Belinati (Cíntia, Simone e Antônio Carlos)’’.
O imóvel, que não chegou a ser ocupado por Belinati, foi vendido para Santos há cerca de um ano. O valor de mercado é de aproximadamente R$ 500 mil. O prédio chama a atenção pelo luxo. São 18 andares – um apartamento por andar, com área de 750 metros quadrados. A média do condomínio é de R$ 1,2 mil por mês. O deputado federal José Janene (PPB) é um dos moradores.
Além do Arkádia, a promotoria investiga a compra, pela família Belinati, de um apartamento em Curitiba, no edifício Monte Claro, bairro Champagnat, e de uma área de 112 mil metros quadrados no Distrito do Espírito Santo, ao lado da chácara do prefeito. O valor dos negócios, fechados em 98 e 99, teria chegado a R$ 1,2 milhão.
Ontem, Belinati divulgou nota reconhecendo a compra dos imóveis. ‘‘Só foi possível porque minha família vendeu outros imóveis que possuía, um deles escriturado em cartório há 30 anos’’. Ele garantiu que, desde que assumiu seu terceiro mandato, não teve ‘‘qualquer acréscimo imobiliário’’. Informou que o apartamento em Curitiba foi adquirido pelos filhos, a prazo, e há um saldo devedor de R$ 290 mil. O apartamento no Arkádia e o terreno, segundo ele, ‘‘não fazem parte do patrimônio da minha família, simplesmente porque foram comprados e revendidos, em seguida, no mesmo ano.’’

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