O pedido de abertura de processo administrativo para apurar irregularidades na folha de pagamento dos servidores da Universidade Estadual de Maringá (UEM) foi assinado ontem pela assessoria jurídica da Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior. As investigações serão feitas pela Procuradoria-Geral do Estado, mas até o final da tarde de ontem o órgão ainda não havia recebido o ofício da secretaria.

No ofício, a secretaria informa que tomou conhecimento das irregularidades ''através da Folha'' da edição do último dia 29, e lembra que o caso já está sendo investigado pelo Ministério Público (MP) de Maringá.

Além das esferas administrativa e judicial, o caso da UEM também pode entrar na pauta da Comissão Especial de Investigação (CEI) da Assembléia Legislativa que apura irregularidades nas universidades públicas do Paraná. O requerimento solicitando a presença da CEI no caso da UEM foi assinado ontem pelo deputado estadual Divanir Braz Palma (PST).

A denúncia de irregularidade na UEM se tornou pública, na semana passada, quando a Folha teve acesso à conclusão do relatório de uma comissão de auditoria interna que apurou uma série de distorções na produção da folha de pagamento dos servidores da universidade. A comissão apurou 18 tipos de irregularidades, como o pagamento indevido de benefícios e gratificações, atribuições de cargos e funções sem critérios, além do tratamento desigual entre servidores de um mesmo departamento. O trabalho da comissão se concentrou na Pró-Reitoria de Recursos Humanos (PRH).

Em entrevista à Folha, no último sábado, o secretário de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Ramiro Wahrhaftig, criticou a falta de providências da reitora Neusa Altoé apesar de a comissão ter concluído o relatório em agosto de 2000. Segundo Ramiro, a falta de ''decisões corretivas'' oneram dia a dia os cofres públicos.

Para o comando de greve da UEM, a paralisação ''foi atropelada'' pela denúncia contra a reitoria. Em boletim divulgado ontem, o comando diz que ''é uma dura lição para nós, servidores da UEM, que não conhecemos o processo e ficamos entre a luta sem trégua para conquistar a recomposição de nosso salário e a falta de informações e transparência do ocorrido na auditoria da PRH''.

O comando de greve lembrou que, no ano passado, a reitoria, em apoio ao governo do Estado, puniu dois professores e um aluno por causa da greve. ''Este ano a instituição é punida pelo mesmo governo que pediu a cabeça de servidores em 2000.'' Para os grevistas, a reitoria está sendo ''castigada'' pelas atitudes do passado. ''Quem bajula o poder, um dia tem o troco'', informa o boletim do comando de greve da UEM.

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