Procuradoria Eleitoral entra no 'caso Rasera'
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terça-feira, 26 de setembro de 2006
Catarina Scortecci<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A Promotoria de Investigação Criminal (PIC), através da assessoria de imprensa do Ministério Público (MP) do Paraná, confirmou que existem peças da investigação no ''caso Rasera'' para serem entregues à Procuradoria Regional Eleitoral. A informação indica que há, no mínimo, indícios de participação de candidatos ao pleito do próximo domingo no esquema ou que existem elementos na investigação que dizem respeito também à Justiça Eleitoral. O envio de parte das peças da investigação ocorre a pedido do Tribunal Regional Eleitoral (TRE). Ontem o coordenador jurídico da coligação Paraná da Verdade, o advogado Nilson Sguarezi, também informou que já solicitou à PIC a cópia do material que será entregue à Procuradoria Regional Eleitoral.
Desde o início da ''Operação Pátria Nossa'', que desarticulou o grupo que fazia interceptações telefônicas clandestinas comandado pelo policial civil Délcio Rasera, a oposição ao governo do Estado afirma que o nome do candidato à reeleição no Executivo, Roberto Requião (PMDB), constaria nas tais peças de investigação da PIC. A ligação é feita porque Rasera, que estava cedido ao Executivo, se apresentava como assessor de Requião. Anteontem, João Formighieri, que está à frente da Imprensa Oficial, órgão vinculado ao governo do Estado, também foi denunciado pelo MP porque teria pedido um serviço de grampo a Rasera.
Formighieri foi um dos 20 nomes denunciados anteontem pelo MP à Vara Criminal de Campo Largo. O advogado de Formighieri, Roberto Brzezinski Neto, disse que somente se pronunciaria ''depois de ter acesso aos autos''. João Máximo Salomão Neto, que é assessor do deputado federal José Janene (PP), também foi denunciado porque teria solicitado serviços de grampo a Rasera. Janene disse que a pessoa ''supostamente grampeada a pedido de seu assessor'' é um primo do próprio Salomão e que a ''confusão'' já foi esclarecida. ''Não tem nada a ver. Ele é um homem muito educado'', comentou Janene. Salomão disse que não contratou os serviços de Rasera e enfatizou que o ''deputado não tem nada a ver com a história''.
Um dos advogados de Rasera, Luiz Fernando Comegno, também teria sido um dos ''clientes'' do policial civil e foi denunciado pelo MP. ''Tempos atrás, suspeitava que o telefone da minha casa estava grampeado, então o Rasera pediu para o Isaac (também denunciado pelo MP) fazer uma varredura. Só. Eu não acredito que o juiz irá aceitar a denúncia'', explicou o advogado. Comegno acrescenta que seu nome foi incluído por ''vingança'', já que ele teria ''representado contra os promotores'' cerca de dez dias atrás. ''Reclamei que as informações do inquérito, que estava sob sigilo, estavam sendo divulgadas por alguém da PIC'', acusa. O advogado, ao ser questionado sobre se continuaria à frente da defesa de Rasera, afirmou que ''agora até com mais afinco''.
Outros dois denunciados, Gonzalo Arturo Canoles Farias e Isaac José Rodrigues, seriam os responsáveis pela ''parte técnica'' do esquema. Ambos trabalhavam numa empresa de telefonia em Curitiba. Entre os denunciados também estão mais três pessoas, além do policial civil, que possuem o sobrenome ''Rasera''.
Hoje o juiz Gaspar Luiz Mattos de Araújo Filho, da Vara Criminal de Campo Largo, deverá concluir sua análise sobre a denúncia feita pelo MP. Antes da sua avaliação, o teor da denúncia não será disponibilizado para consultas. ''Não tenho como adiantar nada porque ainda não terminei de analisar. É um volume muito extenso'', disse o juiz. A reportagem acompanhou a entrega da denúncia feita anteontem, pouco antes das 17 horas, por dois funcionários do MP. Ambos carregavam pilhas enormes de papéis.


