Procuradoria do DF insiste no afastamento de Tereza
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quinta-feira, 10 de agosto de 2000
Alex Ribeiro Agência Folha De Brasília 
O procurador da República no Distrito Federal, José Leovegildo, ingressou ontem com um recurso na Justiça. Ele insiste no afastamento da diretora de Fiscalização do Banco Central (BC), Tereza Cristina Grossi Togni. Ela chegou a ficar afastado do cargo por 72 horas, mas conseguiu liminar na Justiça para retornar.
O Ministério Público (MP) quer afastar Tereza Grossi do cargo porque acha que ela pode coagir funcionários do BC que devem depor em processo judicial. A ação apura a participação da própria diretora do BC no socorro aos bancos Marka e FonteCindam. A operação resultou em um prejuízo de R$ 1,6 bilhões aos cofres públicos.
Tereza Grossi chegou a ficar afastada do cargo durante 72 horas, por força de liminar concedida por um juiz de primeira instância. A diretora do BC reassumiu na sexta-feira passada, após o juiz Amílcar Machado, do Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª Região, determinar a cassação da medida liminar.
O recurso do procurador José Leovegildo será analisado pelo mesmo juiz. O representante do Ministério Público sustenta que Amílcar Machado não poderia ter derrubado a liminar porque o presidente do mesmo tribunal, o juiz Tourinho Neto, já havia negado um recurso do governo.
Amílcar Machado derrubou a liminar porque afirma que os funcionários do Banco Central já depuseram em processo criminal sobre o mesmo assunto que corre no Rio de Janeiro. Para o juiz do TRF, nada indica que essas testemunhas vão mudar o relato no novo depoimento. Elas devem ser ouvidas novamente em um processo sobre improbidade administrativa.
Para o Ministério Público, entretanto, os funcionários podem ter fatos novos a contar. Como exemplo, os promotores citam os depoimentos do chefe do Departamento de Fiscalização Indireta do Banco Central, Vânio Aguiar. Ele revelou detalhes adicionais da operação apenas em seu segundo depoimento, concedido na Justiça Federal no Rio de Janeiro.


