Procuradoria denuncia 15 parlamentares
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quarta-feira, 31 de maio de 2006
Folhapress 
Brasília - O procurador-geral da República, Antonio Fernando Souza, pediu ontem ao STF (Supremo Tribunal Federal) a abertura de inquérito contra 15 investigados suspeitos de participar do esquema de compra superfaturada de ambulâncias com dinheiro do Orçamento da União. A Procuradoria-Geral da República não divulgou o nome dos primeiros investigados, pois existe a possibilidade de o inquérito correr sob segredo Justiça.
O procurador encontrou indícios da participação de 15 parlamentares na máfia das ambulâncias. Ele chama o esquema de organização criminosa especializada na fraude de licitações, corrupção ativa e passiva, tráfico de influência e lavagem de dinheiro. No começo do mês, a Polícia Federal (PF) prendeu 44 pessoas durante a Operação Sanguessuga. Entre os presos havia empresários, ex-deputados, assessores parlamentares. A ex-assessora da Saúde Maria da Penha Lino entregou para a PF uma lista com o nome de 283 parlamentares suspeitos de participar da máfia das ambulâncias.
O caso começou a ser investigado pelo Congresso, mas foi repassado para a Procuradoria. O Congresso alegou que não teria condições de fazer uma investigação desse porte. O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), disse que a Procuradoria enviaria o resultado das investigações para as Corregedorias da Câmara e Senado, que encaminhariam possíveis acusações aos Conselhos de Ética de cada Casa.
A quadrilha desmontada pela PF, que fraudava a venda de ambulâncias para prefeituras de diversos Estados do país, era chefiada pela família Trevisan Vedoin, no Mato Grosso. A empresa da família era chefiada por Darci José Vedoin e tinha membros infiltrados na Câmara dos Deputados, no Ministério da Saúde e na Associação de Municípios do Mato Grosso.
O primeiro passo da ação da quadrilha era o contato com os prefeitos interessados. O responsável pelo contato seria José Wagner dos Santos. Nessa conversa com os prefeitos, ele dizia que poderia entregar uma ambulância completa antes do prefeito consegui-la pelos trâmites normais. Com isso, o prefeito ficaria livre de toda a burocracia e não teria de fazer nenhum esforço. Com a concordância do prefeito, a quadrilha acionava assessores de parlamentares que preparavam emendas a serem apresentadas por deputados e senadores. O texto era aprovado no Congresso Nacional e a assessora Maria da Penha Lino teria a incumbência de aprovar o convênio e facilitar a liberação do recurso.
Caberia à empresa Planam, de propriedade da família Trevisan Vedoin, montar as ambulâncias e entregá-las ao prefeito. A empresa superfaturava em até 110% a operação e entregava um veículo sem os equipamentos para atendimentos de emergência. A quadrilha teria movimentado R$ 110 milhões desde 2001 e entregue 1.000 veículos. Cada intermediário recebia propina para atuar. Há indícios que dois ex-parlamentares, Ronivon Santiago e Carlos Rodrigues, tenham também recebido propina.


