Lausanne - O Ministério Público da Suíça indicou ontem estar disposto a repatriar ao Brasil o dinheiro congelado nas contas do representante da construtora de navios SBM Offshore no Brasil, Júlio Faerman. O empresário fechou um acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal em maio e deu seu sinal verde para a devolução. Os depósitos poderiam chegar a US$ 54 milhões.
Ele é suspeito de ter sido uma das peças centrais nos pagamentos de propinas para ex-executivos da Petrobras. Por isso, tanto do lado brasileiro como suíço, um pente-fino está sendo realizado para identificar todos os valores em todas as contas, além da origem e destino da propina. O ex-gerente da Petrobras Pedro Barusco revelou que US$ 300 mil recebidos da SBM foram repassados para o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, preso em Curitiba.
Segundo Barusco, a quantia foi solicitada a Faerman como um "reforço" de campanha de Dilma Rousseff em 2010. Ontem, em Lausanne, uma equipe de procuradores iniciou negociações para recuperar o dinheiro e acredita que os valores poderão estar nos cofres públicos em "poucos meses".
A assessoria de imprensa da Procuradoria-Geral da Suíça confirmou a negociação. "Confirmamos o encontro entre o Ministério Público e procuradores brasileiros para falar sobre a repatriação de alguns ativos sequestrados na Suíça no caso da Petrobras", afirmou o órgão.
Do lado brasileiro, a delegação era composta pelos procuradores da República Renato Silva de Oliveira e Leonardo Cardoso de Freitas, encarregados da investigação criminal relativa a contratos entre SBM e Petrobras, além de Carlos Bruno da Silva, do Departamento de Cooperação Internacional do Ministério Público em Brasília.

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