Brasília - Em nota oficial divulgada ontem, o subprocurador-geral da República José Roberto Santoro e o procurador Marcelo Serra Azul afirmam que as gravações nas quais eles tentam obter a colaboração do empresário do jogo Carlos Ramos, o Carlinhos Cachoeira, com investigação conduzida pelo Ministério Público (MP) não revelam prática de ''ato ilegal, simplesmente processo regular de convencimento de réu-colaborador a vencer seus medos e colaborar efetivamente com a Justiça''.
A nota oficial, a cuja divulgação Santoro não compareceu, é uma referência à revelação, pelo ''Jornal Nacional'' que foi ao ar anteontem, de gravações nas quais o subprocurador, acompanhando Serra Azul, tenta fazer com que Cachoeira entregue ao MP uma fita de vídeo na qual o ex-subchefe de Assuntos Parlamentares da Casa Civil Waldomiro Diniz aparece negociando com o empresário cobrança de propina e contribuições para campanhas eleitorais em 2002. O caso se tornou a principal crise do governo de Luiz Inácio Lula da Silva.
Conforme documento divulgado ontem por Serra Azul e Santoro, que tem 11 itens e três páginas, não houve ''violação do princípio do promotor natural'' -irregularidade da qual são acusados pelo procurador-geral da República, Cláudio Fonteles - e ''não constitui ilícito e tampouco infração funcional'' tomar depoimentos de madrugada. Promotor natural é aquele que, de acordo com a legislação, conduz a investigação.
Segundo Serra Azul, Santoro, cuja atribuição é atuar no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, participou das primeiras diligências relacionadas ao caso a seu pedido. ''O Santoro nunca negou ajuda a nenhum colega'', afirmou o procurador, descartando qualquer possibilidade de estar, juntamente com o subprocurador, ''conspirando'' contra o governo.

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