Procuradores definem posição
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quinta-feira, 19 de julho de 2001
Luciana PomboDe Curitiba 
A Associação dos Procuradores do Estado do Paraná (Apep) deverá definir hoje um posicionamento da categoria em relação ao procurador-geral do Estado, Joel Coimbra, envolvido em denúncias de improbidade administrativa em Maringá. Os procuradores se reúnem em assembléia a partir das 8h30. A presidente da Apep, Rosângela Alves, não quis adiantar nada. Como nós vamos debater em assembléia com os procuradores, não queremos falar nada. É melhor ouvir o que a maioria tem a dizer para depois nos posicionar, considerou.
A reunião dos procuradores foi motivada pelos últimos acontecimentos envolvendo a Procuradoria Geral do Estado (PGE). Os funcionários José Anacleto Abduch Santos (diretor geral da PGE) e Pedro Bispo (chefe de gabinete) pediram demissão no início deste mês, pouco antes da viagem do governador Jaime Lerner para os Estados Unidos. Para evitar uma crise, os secretários teriam pedido para que eles permanecessem nos cargos até a volta do governador. Fontes do governo do Estado já davam como certa a demissão de Coimbra do cargo.
De acordo com estas fontes, os dois funcionários estariam insatisfeitos com a postura do procurador que teria contratado a assessora dele Flávia Cerneiro Pereira em dois cargos paralelos durante o período em que ocupava uma pasta na Assembléia Legislativa, entre os anos de 1993 e 1996. A gota dágua teria sido a descoberta de que Flávia continuava exercendo dois cargos: um no Estado e outro na Prefeitura de Maringá. Ela teria sido exonerada do cargo no Estado na semana retrasada.
A procuradora Rosângela Alves desconhece essa denúncia. Em nota enviada à redação no dia 16 de julho, ela lembra que os fatos imputados a Coimbra se referem apenas ao período em que ele exercia a função de deputado estadual, não tendo qualquer relação com o exercício de suas atribuições frente à Procuradoria Geral do Estado. A mesma nota diz que Coimbra ocupa o cargo por livre nomeação do governador Jaime Lerner desde fevereiro de 1999.
Ela ainda mantém o firme posicionamento no sentido de que os cargos de direção da PGE sejam ocupados por integrantes da carreira. E reitera apoio irrestrito aos procuradores nos seus atos e decisões voltados à preservação dos interesses da carreira e manutenção da sua credibilidade e postura ética para com a sociedade paranaense.
O procurador não quis comentar o caso na tarde de ontem. Não vou falar sobre isso, disse Coimbra quando chegava para uma reunião no Tribunal Regional do Trabalho (TRT). Em entrevista à Folha na semana passada, Coimbra negou a crise na PGE, mas confirmou o pedido de demissão de Anacleto e Bispo. Ele afirmou que não sabia os reais motivos dos pedidos de demissão e garantiu que a PGE precisava de uma reformulação no quadro de pessoal. Eu acho que tudo na PGE tem que mudar. Já deveria ter mexido antes. Ninguém é insubstituível. (Colaborou Dimitri do Valle)


