Procuradores cogitam impeachment de Mendes
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segunda-feira, 14 de julho de 2008
Roberto Almeida e Rosa Costa<br>Agência Estado 
São Paulo - Procuradores das regiões Sul e Sudeste do País estão discutindo um possível pedido de impeachment do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes. A representação seria baseado na prática de crime de responsabilidade, caracterizado no artigo 52, inciso II, da Constituição. Apesar das discussões, até ontem os procuradores não tinham formalizado nenhum documento com o pedido de impeachment, que precisa de dois terços dos votos do Senado para ser aprovado. Esta é a primeira vez que se fala em pedido de impeachment de um presidente do STF.
O presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), acredita que a iniciativa dificilmente irá adiante se não chegar amparada por provas de que Mendes cometeu crime de responsabilidade. O que está sendo discutido é uma decisão judicial, não é nenhum crime, explicou.
Segundo o advogado constitucionalista João Antonio Wiegerinck, o pedido de impeachment decorre das decisões controversas de Mendes - particularmente a concessão, por duas vezes, de habeas corpus ao banqueiro Daniel Dantas, acusado de vários crimes pela Polícia Federal. Dá para se entender a revolta dos procuradores, disse Wiegerinck.
Ele qualificou o habeas corpus para Dantas como decisão temerosa, porque é uma pessoa com mais recursos para se evadir da Justiça. O professor Calmon de Passos, da Universidade Federal da Bahia (UFBA), discorda. Ele qualifica como petulância a ação dos procuradores.
Apoio
Uma nota assinada ontem por 148 advogados, ligados à Associação dos Advogados de São Paulo (AASP), expressou solidariedade ao ministro Gilmar Mendes. Segundo a nota, Mendes foi atacado por manifestações de entidades profissionais que deveriam demonstrar seu inconformismo na forma prevista pelas leis de processo e não com ataques públicos ao chefe do Poder Judiciário brasileiro. A nota foi entregue à imprensa durante evento na sede do site Consultor Jurídico, em São Paulo, do qual o ministro participou. (Com Agência Brasil)


