Os procuradores da República em Maringá iniciaram uma nova fase de investigações no caso que apura o desvio de dinheiro da prefeitura. Com base em relatório do Tribunal de Contas (TC), que identificou um rombo de R$ 54 milhões na gestão do prefeito Jairo Gianoto (1997-2000), os procuradores querem identificar os beneficiários do esquema.
De acordo com o procurador Natalício Claro da Silva, o trabalho não será fácil. ‘‘Os recursos eram entregues em dinheiro. Fica difícil de materializar isso. A gente vai ter que correr atrás para saber se existe algum documento’’, afirmou. Para o procurador, será preciso ‘‘individualizar os beneficiários ilegais’’, já que existem pessoas que receberam dinheiro com cheques da prefeitura, mas segundo Silva, não estão envolvidos nos desvios.
Até agora, o Ministério Público Federal (MPF) conseguiu confirmar o desfalque de R$ 2,6 milhões entre os meses de dezembro de 1998 e março do ano seguinte. O ex-secretário da Fazenda de Maringá Luis Antônio Paolicchi foi denunciado pelos procuradores à Justiça Federal em outubro passado. Paolicchi está preso há três meses no 4º Batalhão da Polícia Militar.
Jorge Sossai, o sucessor de Paolicchi na secretaria, e os servidores Waldemar Ronaldo Corrêa e Rosemeire Castelhano Barbosa também foram indiciados. Todos são acusados de crime de sonegação fiscal, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e peculato. Corrêa é acusado de ser o laranja do esquema. Ele é o titular de uma conta corrente no Banco do Brasil que foi aberta, segundo o MPF, para receber depósitos de cheques da Prefeitura.
Além de desviar os recursos, os procuradores federais descobriram que as transações geraram um prejuízo para o fisco federal. Os tributos que deixaram de ser recolhidos com os depósitos chegam a R$ 1,8 milhão, valor já acrescido de multa e correção monetária.
No primeiro depoimento que prestou à Justiça Federal, em 14 de dezembro, Paolicchi alegou que a conta de Corrêa era usada para movimentar recursos provenientes das fazendas que o ex-secretário mantinha em Mato Grosso. Paolicchi acusou Gianoto de ter autorizado depósito de dinheiro público na conta de Corrêa. ‘‘Por orientação dele (Gianoto), eu passava o dinheiro por esta conta do Waldemir.’’
O depósito foi feito porque o então prefeito estaria devendo dinheiro a Paolicchi. Ele teria emprestado R$ 280 mil para a campanha de Gianoto em 1996. ‘‘Ele (Gianoto) também me falou assim: aproveita e se ressarça do dinheiro que eu tomei emprestado de voc꒒, contou Paolicchi. Gianoto negou à Justiça ter feito qualquer acerto com Paolicchi. ‘‘Olha, isso é inexistente. Jamais houve esse fato. Eu só fui tomar conhecimento dessa conta por terceiros’’, disse. (D.V.)

mockup