Procuradora defende o MP em escola de governo
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quarta-feira, 28 de novembro de 2007
Luciana Pombo<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A presidente da Associação do Ministério Público (MP) do Paraná, procuradora Maria Teresa Uille Gomes, resolveu ontem aceitar as provocações feitas pelo governador Roberto Requião (PMDB). Por diversas vezes Requião cobrou que ela explicasse os altos salários da instituição. Maria Teresa compareceu ontem à ''escola de Governo'' e reafirmou que a animosidade entre governo do Estado e MP ocorreu por conta da ação civil ajuizada contra o nepotismo. ''Um dos motivos que deflagrou essa animosidade com o governo foi a ação contra o nepotismo. E quero explicar que essa não é uma ação contra pessoas. Não estamos querendo atingir o irmão do governador. Essa é uma posição institucional'', afirmou a procuradora, durante pronunciamento ontem na reunião semanal do secretariado.
Maria Teresa explicou que o MP baixou uma resolução interna para acabar com o nepotismo numa época em que não se falava no assunto. Dezoito cargos em comissão foram exonerados por terem parentescos com promotores e procuradores. ''Estamos passando por uma crise porque existem interesses antagônicos no Executivo e no Legislativo, que querem manter os privilégios. Há aqueles que acham que existem os princípios constitucionais de aplicação imediata. O governo da Bahia, por exemplo, instituiu uma lei e acabou com o nepotismo no Estado. Algo tem que ser feito. Nem que com regulamentação para que comece a valer em dois ou três anos'', replicou ela.
A procuradora chegou no início da escolinha de Governo, mas só conseguiu falar no final. Ela defendeu debates públicos e profundos na TV Paraná Educativa. Foi por conta de fitas levadas por ela para procuradores federais que a Associação Nacional dos Membros do Ministério Público (Conamp) montou uma representação no MP federal contra o governador por suposto uso indevido da TV estatal com finalidade política.
Sobre os salários dos promotores e procuradores, ela disse que são condizentes com o que prega a Constituição Federal. Ela lembrou que os procuradores não podem ser chamados de nepotes porque recebem valores fixados pela legislação e precisam comprovar trabalho de mais de 30 anos para conseguir aposentadorias. ''Um governador tem vencimento igual ao do presidente do Supremo Tribunal Federal e após quatro anos de governo tem direito a uma aposentadoria vitalícia. Tenho promotores que estão se aposentando agora com 70 anos de idade e muitos de trabalho.''


