Procurador vê precipitação em ato do Supremo
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sábado, 09 de agosto de 2008
André Zahar<br>Folhapress 
Rio de Janeiro - O procurador da República no Rio de Janeiro Rogério Nascimento, que responde pelas questões eleitorais no Estado, disse ontem que o STF (Supremo Tribunal Federal) se precipitou ao liberar candidatos com ficha suja na Justiça. Para Nascimento, a Suprema Corte deveria deixar a Justiça Eleitoral analisar casos concretos em vez de apenas decidir sobre uma tese.
Acho que foi precipitação [do STF] decidir em tese, antes que se deixasse a eleição correr e os casos pudessem ocorrer e houvesse um acúmulo de debates a partir de discussões concretas, e não idéias, afirmou o procurador.
Nascimento participa hoje da 10ªConferência Estadual dos Advogados, organizada pela OAB-RJ (Ordem dos Advogados do Brasil) do Rio.
O que eu mais lamento é que a decisão tenha sido tomada no começo do processo eleitoral, antes que os casos fossem julgados, disse.
Na última quarta-feira, o STF decidiu que os candidatos com ficha suja estão livres para disputarem as eleições. No entendimento dos ministros da Suprema Corte, o que deve prevalecer é o princípio da presunção de inocência.
O procurador reconheceu que a decisão do STF deverá ser seguida pelos tribunais regionais e juízes de primeira instância, mas não considerou justo abdicar de algo só por medo do mau uso da ficha suja.
A decisão do STF vincula todos os órgãos do Judiciário. Do ponto de vista destas eleições, não cabe discussão. Não é possível indeferir registros de candidaturas fora do que está presente na Lei de Inelegibilidade.
Lei da Anistia
Nascimento preferiu não comentar a manifestação do Clube Militar contra a revisão a Lei de Anistia proposta pelo ministro Tarso Genro (Justiça) com o objetivo de punir os torturadores do regime militar. O procurador disse que o Clube é uma organização da sociedade civil e tem liberdade de expressão.
Porém, elogiou a iniciativa de procuradores paulistas que iniciaram a discussão. É reconhecer que não se apaga a história, disse.
Sobre o uso de algemas, o procurador disse que o Poder Judiciário terá de rever muitos processos de pessoas que estavam algemadas durante o julgamento.


