Curitiba - O procurador-geral do Estado, Sérgio Botto de Lacerda, prometeu rebater com dados as denúncias contra o governo Roberto Requião (PMDB) apresentadas pelo procurador do Estado, Luiz Henrique Bona Turra, no final de março na Assembléia Legislativa. Entre as denúncias que Bona Turra relatou aos deputados está a falta de licitações para a celebração de contratos do governo com a iniciativa privada, entre eles um contrato da Companhia Paranaense de Energia (Copel). Botto de Lacerda vai hoje à Assembléia dar as explicações.
''Eu vou explicar as dúvidas que o Bona Turra lançou irresponsavelmente. Não é propriamente uma resposta. O governo vem se defender. Ele na verdade filosofou e não responde nada aos deputados. Mas deixou no ar que há irregularidades'', afirmou Botto de Lacerda, no final da sessão solene em homenagem ao Papa João Paulo II ontem na Assembléia. O procurador afirmou que vai levar a diretoria e técnicos da Copel para esclarecer as acusações.
Bona Turra afirmou que o governo deveria ter cancelado o contrato entre a Copel e a Companhia de Interconexão Energética (Cien), assinado no governo Jaime Lerner (PSB) e que previa a compra de 800 MW. A Copel, entretanto, optou por renegociar o contrato, diminuindo a contratação para 400 MW e reduzindo a duração do contrato de 20 para sete anos. Isso, segundo o procurador, está causando um prejuízo de R$ 1,1 bilhão ao Paraná. Entre outras coisas, Bona Turra também acusou o governador de não empreender os esforços devidos para reduzir os preços das tarifas do pedágio, uma das principais batalhas travadas por Requião.
Botto de Lacerda criticou Bona Turra por ter levado à Assembléia documentos da Procuradoria sem autorização prévia. ''Ele não podia ter trazido documentos sem a minha autorização e a do chefe direto dele. E estamos tendo muita dificuldade para reaver'', reclamou. O procurador-geral também ironizou a forma como Bona Turra falou em seu depoimento aos deputados. ''Eu não venho para dar aula de filosofia'', alfinetou. Tanto os deputados da bancada governista como os de oposição reclamaram da forma ''complexa'' como Bona Turra se expressou na Assembléia. (A.B.)

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