O procurador-geral do município de Guarapuava, Amoriti Trinco Ribeiro, não acredita que haja um afastamento judicial do prefeito Victor Hugo Burko (PSDB), acusado contratar 33 funcionários sem concurso público para a Fundação do Bem Estar do Menor (Funbem). A ação civil pública contra o prefeito foi proposta na segunda-feira pelo promotor de defesa do Patrimônio Público, Mauro Dobrowolski.
Na ação, o promotor solicitou a dispensa do contratados e a indisponibilidade dos bens do prefeito, de sua mãe Maria do Rocio Ribeiro Burko, além de José Airton Klosovski e Claudiana Ferro, funcionários da Funbem. Maria do Rocio preside a Fundação de Bem Estar do Menor.
Mauro Dobrowolski não pediu o afastamento em caráter liminar do prefeito de Guarapuava, mas a suspensão de seus direitos políticos caso ele seja condenado por improbidade administrativa após a ação transitar em julgado. Caso esteja ocupando o cargo numa eventual condenação, Burko, que foi reeleito, seria afastado do cargo.
O promotor também pediu que os citados na ação devolvam R$ 250 mil aos cofres públicos para ressarcir a prefeitura pelas contratações irregulares.
Vereadores da oposição estão tentando articular a abertura de uma Comissão Processante (CP) contra o prefeito, com base no decreto-lei 201/67. O vereador Vilson Rodrigues (PFL) promete ingressar na segunda-feira com um pedido de comissão na Câmara. Mesmo reconhecendo que pelo menos 13 dos 21 vereadores são do grupo do prefeito, ele iniciou contatos tentando emplacar a CP.
Anteontem, o assunto dominou a sessão da Câmara. Alguns aliados do prefeito, porém, mantiveram cautela ao comentar a denúncia.
O procurador Amoriti Ribeiro lembrou que uma liminar suspendeu uma comissão da Câmara de Vereadores que investigava as contratações feitas pela prefeitura. ‘‘A ação ainda nem começou e o processo é uma incógnita, Acreditamos que pelas evidências teremos uma solução para o bem de Guarapuava’’, afirmou. Ribeiro disse ainda que o prefeito vai justificar as contratações. Segundo ele, havia uma série de projetos importantes na área social e o município necessitava de pessoal em caráter de urgência.
Segundo ele, também foi necessário ceder funcionários municipais para órgãos estaduais que estavam na iminência de fechar por falta de funcionários. ‘‘Não foi nem o prefeito que fez as contratações, mas sim os secretários municipais, o que não justifica nem o afastamento nem uma cassação’’, concluiu.
De acordo com o promotor de Guarapuava, as 33 contratações foram realizadas diretamente pelo município e os contratos foram formalizados via Funbem depois que o assunto passou a ser investigado. Porém os funcionários continuaram desempenhando suas atividades para o município. ‘‘A formalização pela Funbem foi uma fraude, uma tentativa de burlar a lei’’, explicou.
O promotor disse ainda que irá instaurar um inquérito civil público para investigar a situação de outros 180 contratados pela Funbem e que trabalham ou trabalharam para o município. Dobrowolski disse que a prefeitura repassa à Funbem os recursos para pagar o salário dos contratados.

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