Brasília - O procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, encaminhou ontem ao Supremo Tribunal Federal (STF) um pedido de abertura de inquérito penal contra o presidente nacional do PT, deputado federal José Dirceu (SP), por considerar que há indícios de que Dirceu tenha recebido valores ilicitamente exigidos por petistas de empresários de Santo André (SP). E disse que, se forem confirmados os indícios, ele poderá ser processado por crimes eleitoral e contra a administração pública (concussão e peculato). O relator do inquérito no Supremo será o ministro Nelson Jobim.
No expediente encaminhado ao STF, Brindeiro pediu o indiciamento de Dirceu. Também solicitou à Polícia Federal (PF) que ouça, num prazo de 45 dias, o presidente nacional do PT e deputado federal por São Paulo, o médico João Francisco Daniel (irmão do ex-prefeito de Celso Daniel, assassinado em janeiro, e autor da acusação de desvio de verbas da prefeitura), empresários supostamente extorquidos pelo esquema e os petistas acusados de cobrar propinas. Brindeiro também abriu a possibilidade de a PF requisitar outras diligências que considerar necessárias para investigar as acusações.
Por causa do grande número de acusados e do avançado estágio das apurações realizadas pelo Ministério Público Estadual (MPE), Brindeiro considerou prudente instaurar o inquérito no STF apenas contra o presidente nacional do PT e deputado federal e manter em São Paulo as investigações contra os supostos integrantes do esquema de cobrança de propinas: o empresário Sérgio Gomes da Silva, o ex-secretário de Serviços Municipais da prefeitura de Santo André Klinger Luiz de Oliveira Souza, o empresário Ronan Maria Pinto, Irineu Nicolino Martin Bianco, Humberto Tarcísio de Castro e Luiz Marcondes de Freitas Júnior.

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