O procurador da República em Londrina, Mário Ferreira Leite, defendeu ontem uma atuação conjunta com o Ministério Público (MP), Polícia Federal (PF) e Receita Federal (RF), para agilizar as investigações sobre o chamado escândalo AMA/Comurb. São 30 inquéritos tramitando na PF, que envolvem a lavagem de dinheiro em 37 contas fantasmas, abertas em agências do Banestado em Londrina. Mário Leite acredita que é possível ter a conclusão parcial de alguns casos em quatro meses.
O procurador se reuniu ontem à tarde com representantes das instituições envolvidas com as investigações, para discutir uma forma conjunta de atuação. ‘‘Queremos agilizar as investigações, aproveitando o trabalho desenvolvido pelo Ministério Público para analisarmos o aspecto criminal federal’’, resumiu. Segundo Mário Leite, o MP está bastante adiantado nas investigações e a proposta é facilitar o cruzamento de informações. ‘‘É possível agilizar esse trabalho porque um fato repercute em outro. Para qualificar um crime federal, eu dependo do levantamento da Receita Federal’’, exemplificou.
O delegado da PF (responsável pelos inquéritos), Sandro Roberto Viana dos Santos, considera a idéia ‘‘excelente’’. Segundo ele, o trabalho está sob segredo de Justiça porque envolve a quebra de sigilo bancário dos envolvidos. ‘‘Junto com a Receita, poderemos analisar toda a documentação obtida pelo Ministério Público Estadual’’, afirmou. Mas para o delegado, é difícil fazer uma previsão sobre a conclusão das investigações. A promotora de Defesa do Patrimônio Público de Londrina, Solange Novaes Vicentin não quis falar sobre o teor da reunião na Procuradoria da República.
Até agora o MP comprovou um rombo de R$ 16 milhões na Prefeitura de Londrina, por intermédio de fraudes em licitações na Autarquia Municipal do Ambiente (AMA) e na antiga Companhia Municipal de Urbanização (Comurb). O escândalo AMA/Comurb também está sendo investigado pela Polícia Civil, onde o ex-prefeito Antonio Belinati (sem partido) está indiciado. A suspeita é que os recursos da venda de ações da Sercomtel para a Copel (R$ 186 milhões) financiaram a maior parte dos desvios.
O delegado Sandro Roberto Viana dos Santos recebeu ontem o processo para instaurar inquérito e investigar supostas irregularidades na transação entre Sercomtel/Copel. As investigações foram determinadas pela juiza federal Anne Karina Stipp Amador Costa, da Vara Criminal Federal de Londrina, que atendeu parecer da Procuradoria da República. As suspeitas sobre a venda de ações da Sercomtel foram denunciadas pelo PSDB de Londrina.
Entre as irregularidades apontadas pelo partido está o pagamento feito pela Copel de R$ 40 milhões em dívidas que o município tinha com os bancos FonteCindam e Financeiro e Industrial de Investimentos. O empréstimo inicial, com o caucionamento de ações da Sercomtel, era de R$ 22 milhões. A Copel pagou essa dívida e descontou do valor do que deveria repassar ao município. Os tucanos estranham que em menos de dois anos a dívida da prefeitura com os bancos tenha praticamente dobrado.
Na denúncia, o PSDB citou como testemunhas do processo, o líder do governo na Assembléia Legislativa, deputado Durval Amaral (PFL), os deputados estaduais José Maria Ferreira e Sérgio Spada (PSDB), o deputado federal José Janene (PPB), o senador Roberto Requião (PMDB), além dos vereadores Elza Correa e Tercílio Turini (PSDB).

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