Procurador quebra sigilo bancário da Câmara de Cascavel
Paulo Pegoraro
De Cascavel
A Procuradoria da República pediu anteontem à Justiça Federal a quebra do sigilo bancário da Câmara de Vereadores de Cascavel (Oeste do Paraná) para investigar cheques sacados da conta do Legislativo, nos últimos três anos, na Caixa Econômica Federal. Com a quebra do sigilo, a Procuradoria espera avançar nas investigações de denúncias de que vereadores pagavam a assessores apenas a metade dos salários, retendo a outra parte. Segundo estas denúncias, a Câmara emitia dois cheques para cada assessor, que era obrigado a endossar um e entregar o outro ao vereador a cujo gabinete estava ligado.
Um vereador, que pediu para não ser identificado, disse à Folha que a maioria dos 21 vereadores (que recebem R$ 3,16 mil mensais) retinha parte do pagamento dos assessores. Cada parlamentar tem até cinco assessores, que recebem salário bruto de R$ 779,00 (líquido, R$ 690,00).
O procurador Celso Antônio Três revela ter sido procurado por alguns assessores que haviam sido demitidos, depois que se rebelarem contra a retenção. Segundo o procurador, o caso envolve inclusive extorsão, representada pela partilha de salário sob pena de demissão, além dos valores retidos não serem declarados no Imposto de Renda, implicando em sonegação.
Exatamente através do imposto é que age a Procuradoria da República, pois a sonegação é crime da alçada federal. O procurador explicou que a quebra do sigilo bancário da Câmara permitirá conferir a existência dos cheques emitidos e descontados com o endosso de assessores, o que estaria ocorrendo há pelo menos três anos.
Para o procurador Celso Três, a retenção de dinheiro é uma chaga generalizada no País. A Folha procurou o presidente da Câmara de Cascavel, Misael Pereira de Almeida (sem partido), mas sua assessoria informou que ele havia viajando e seu celular estava fora de alcance.





