Relação de pessoas físicas ou jurídicas que enviaram dinheiro para o exterior, liberada por ordem judicial para a Procuradoria da República em Cascavel, apresenta cerca de 50 mil remessas feitas em todo o País no período de 92 a 98, com valores pequenos ou ‘‘astronômicos’’, segundo revelou ontem o procurador Celso Antônio Três. O promotor federal pode ser convidado para depor na CPI dos Bancos, por sugestão do senador pernambucano Roberto Freire (PPS), e deve ser procurado hoje pelo senador paranaense Roberto Requião (PMDB), para encaminhar sua ida ao Senado.
A liberação da lista, pelo Banco Central, noticiada pela Folha no final de abril, foi determinada pela Justiça Federal, atendendo pedido da Procuradoria, que há dois anos investiga e já denunciou grande número de envolvidos na chamada ‘‘lavagem de dinheiro’’. A operação é caracterizada pela transferência, pelos chamados ‘‘doleiros’’, de altos valores, de origem duvidosa, entre contas abertas em nome de terceiros (‘‘laranjas’’), para dissimular a origem do dinheiro. O promotor vinha solicitando há muito tempo a identificação de remetentes (e valores), sem ser atendido pelo BC.
Por isso, Três isso denunciou seus diretores por ‘‘prevaricação’’, em ação que ainda tramita, e cujo primeiro desdobramento foi a liberação da lista. Três afirma estar convencido de que ela ‘‘é real’’, porque aparecem alguns nomes de pessoas e empresas ‘‘muito famosas’’. O procurador não revelou nomes e valores, protegidos pelo sigilo bancário, durante toda a fase de investigações. A Folha recebeu informação, de fonte de Brasília, para a qual não pôde obter confirmação de Três, de que apenas uma empresa, do ramo de comunicações, enviou aproximadamente R$ 500 milhões para o exterior.
Segundo a fonte, entre as pessoas físicas, aparece um ex-ocupante de cargo de primeiro escalão do governo federal, da área financeira. O promotor, por sua vez, relata que grande parte dos nomes da lista ‘‘é de laranjas’’, geralmente são pessoas humildes, que ‘‘emprestam’’ o nome (recebendo pagamento) para a abertura de contas CC5, ‘‘fantasmas’’, em operações que envolvem casas de câmbio e instituições bancárias. Isto ocorreu em larga até o ano passado, quando não havia maior controle sobre as CC5, e o montante ‘‘exportado’’ naquele ano pode ter sido de quase R$ 25 bilhões.
Grande volume de dinheiro foi ‘‘lavado’’ através de Cascavel e Foz do Iguaçu, de casas de câmbio para bancos paraguaios. Apenas em Cascavel, a Procuradoria identificou 33 contas de ‘‘laranjas’’, pelas quais passaram R$ 450 milhões. A remessa de valores para o exterior é legal, por isso as investigações da Procuradoria são relacionadas à origem do dinheiro, e se houve tributação. Além de inúmeras denúncias já formalizadas por Três, ele já conseguiu a decretação do sequestro de bens de vários acusados como ‘‘doleiros’’.

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