Procurador jurídico de Londrina responde a ação por improbidade
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quinta-feira, 30 de julho de 2015
Loriane Comeli<br> Reportagem Local 
O procurador-geral do município, Paulo César Gonçalves Valle, cargo de confiança do prefeito de Londrina, Alexandre Kireeff (PSD), é acusado de improbidade administrativa em processo movido em 2010 pelo Ministério Público (MP) de Centenário do Sul (Região Metropolitana de Londrina). Ele e o advogado Alex de Siqueira Butzke serão ouvidos na 2ª Vara da Fazenda Pública de Londrina, por carta precatória, em outubro. Também é réu o ex-vereador de Centenário do Sul Lindolfo da Silva.
Segundo a ação, os dois advogados, contratados no final de 2007 diretamente por Silva para defendê-lo em interesses particulares, foram pagos com dinheiro público. Saíram dos cofres públicos R$ 3,5 mil que, corrigidos em 2010, chegaram a R$ 25 mil, valor que o MP pede que seja devolvido pelos três réus.
Silva, que à época era vice-presidente da Câmara, recusou-se a deixar o cargo de presidente após assumir a função interinamente com a renúncia do então presidente. Com os colegas questionavam a decisão de Silva, ele contratou Valle e Butzke para impetrar um mandado de segurança para mantê-lo no cargo.
Conforme o autor da ação, o promotor Marco Aurélio Nadai Silvino, é "evidente a ciência que todos os requeridos tinham da situação de ilegalidade, pois o próprio Lindolfo da Silva, agente público, disse que se perdesse a causa iria pagar o dr. Paulo César Gonçalves Valle do próprio bolso".
O promotor também assegura que os dois advogados tinham "plena ciência de todas as ilegalidades", principalmente, considerando "o conhecimento que os causídicos necessariamente têm da legislação em razão de sua atividade". "Jamais poderiam ter aceitado o pagamento dos serviços prestados à pessoa física Lindolfo com recursos públicos, o que denota necessariamente que foram beneficiados com a prática dos atos de improbidade praticados", escreveu o promotor.
Silvino também aponta que o contrato firmado entre os advogados e o então vereador era em nome da "Teixeira Rodrigues Valle Advogados", porém, "referida pessoa jurídica não existe, conforme ofício da Ordem dos Advogados do Brasil". Já o pagamento foi feito pela Gonçalves Valle Advogados.
O advogado Butzke disse ontem apenas atuou apenas "na parte jurídica, após solicitação do doutor Paulo (Valle)". "Eu apenas elaborei a peça, o mandado de segurança. Foi o doutor Paulo quem tratou da contratação." Ele também afirmou entender "que não há nenhum ato de improbidade". "Acho que o Ministério Público exagerou um pouco."
Lindolfo Silva e sua advogada não foram localizados. Já Paulo Valle não atendeu o telefone celular e também não deu expediente ontem, segundo informou o gabinete da PGM. Em julho do ano passado, o MP de Londrina também acusou Valle de improbidade por mudanças de pareceres em relação à legalidade da construção do City Shopping, onde está localizada a Havan e outras lojas. A 2ª Vara da Fazenda Pública ainda não decidiu se recebe ou não a ação.


