Procurador-geral rebate ataques de Janene
PUBLICAÇÃO
domingo, 26 de novembro de 2000
Silvana Leão De Londrina 
O procurador-geral de Justiça do Paraná, Marco Antonio Teixeira, considerou desconexos, desequilibrados e aviltantes os ataques feitos pelo deputado federal José Janene (PPB) aos promotores Solange Novaes Vicentin, Cláudio Esteves e Bruno Galatti, que investigam a corrupção na Prefeitura de Londrina. Em nota enviada ontem à Folha, Teixeira saiu em defesa dos promotores, duramente atacados por Janene na quinta-feira passada, durante entrevista coletiva.
Na entrevista, convocada pelo deputado para tentar se defender das suspeitas de que teria se beneficiado de desvios de recursos na prefeitura, o deputado fez várias acusações contra os promotores.
Uma destas acusações é de que os representantes do Ministério Público (MP) coagiram e torturaram as pessoas que prestaram depoimento até agora no caso que ficou conhecido como escândalo AMA-Comurb. Os depoimentos foram tomados sob algemas, as pessoas foram ameaçadas de prisão para dar declarações, disse José Janene.
Na nota, o procurador-geral diz que surpreende o fato de que ofensas tão graves sejam lançadas em razão de ações e práticas investigativas absolutamente legais, conduzidas pelo Ministério Público. Ele observa, porém, que a população tem consciência de que estes agravos não trouxeram, nem de longe, qualquer mácula aos membros do MP. Segundo Teixeira, os promotores prosseguirão cumprindo o seu dever com determinação e responsabilidade.
O procurador-geral afirmou ainda que as afrontas daquele senhor têm, apenas, o efeito de denegrir sua própria imagem perante a comunidade paranaense, aquela mesma que tem o dever de representar no Congresso Nacional. Após afirmar que os ataques de Janene voltaram-se contra toda uma instituição que vem cobrando firmemente a punição dos ímprobos, não só em Londrina mas em todo o Paraná, o procurador pergunta por quê. E responde: Porque, senhor deputado, há momentos em que as melhores e mais eficazes respostas e manifestações devem ser postas nos respectivos autos.
Na edição de ontem, a Folha publicou também repúdio da Associação Paranaense do Ministério Público do Paraná (APMP), que reúne mais de 700 procuradores e promotores de Justiça do Estado. A presidente da entidade, Maria Tereza Uille Gomes, considerou os ataques feitos pelo deputado infundados. Os promotores de Justiça que estão à frente desse trabalho são valorosos, sérios, comprometidos com o ideal de Justiça, afirmou. Maria Tereza disse conhecer de perto o trabalho dos três promotores e que pode atestar a seriedade e idoneidade de cada um.
A exemplo da associação estadual, o grupo de estudos Promotor Santa Rita, que reúne promotores e Justiça de Londrina e região, também divulgou anteontem nota de desagravo. O texto assinado pela promotora Édina Maria Silva de Paula diz que os representantes do MP vêm adotando todas as providências voltadas à apuração das irregularidades que lhes chegam ao conhecimento, sem qualquer interesse pessoal ou político. Até agora o rombo descoberto pelos promotores nos cofres da prefeitura é de R$ 16 milhões, mas pode chegar a R$ 200 milhões.


