Procurador-geral endossa proposta contra privilégio
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 18 de janeiro de 2001
Maria Duarte De Curitiba 
O procurador-geral do Estado e promotor licenciado Joel Coimbra endossou a proposta de decreto regulamentando a prisão especial, enviada na última terça-feira à Presidência da República pelo ministro da Justiça, José Gregori. Conforme a minuta do decreto, a única vantagem da prisão especial é manter o preso afastado dos detentos comuns. A proposta diz que não existindo estabelecimento prisional específico para o preso especial, este será recolhido em cela distinta do mesmo local.
A cela especial tem como finalidade apenas manter o detento separado dos demais, disse Coimbra. Quem vai para uma cela especial não tem necessariamente direito a tratamento melhor, porque isso seria injusto. Segundo ele, mordomias como telefone celular e o direito de receber visitas a qualquer momento não fazem parte de uma prisão especial. O conceito de prisão especial foi deturpado. Nenhum preso pode ter direito a regalias.
O promotor de Defesa do Patrimônio Público de Londrina, Bruno Galatti, concorda que as mudanças na regulamentação de celas especiais representam um avanço que está chegando tarde. É uma situação injusta, da época das ordenações do reino: cada pessoa classificada de acordo com sua classe social. Hoje, a Constituição diz que todos são iguais perante a lei, mas na prática existem regulamentações que discriminam.
Ele destacou que é comum um preso perigoso ganhar o direito a uma prisão domiciliar porque o Estado não tem estrutura para abrigá-lo em celas especiais. É um absurdo que precisa ser corrigido.
Mas a opinião não é unânime. Ontem, a Associação dos Advogados Criminais do Estado de São Paulo (Acrimesp) se posicionou contra o decreto. O presidente da entidade, Ademar Gomes, reclamou que o governo quer nivelar por baixo o sistema prisional. O dever do Estado é recuperar o sentenciado e não torturá-lo ou submetê-lo a tratamento infra-humano. (Colaborou Lúcio Horta, de Londrina)


