Curitiba - Através de uma nota pública divulgada ontem pela assessoria de imprensa do Ministério Público (MP) do Paraná, o procurador-geral de Justiça do órgão, Milton Riquelme de Macedo, informou que não haverá mudanças nas estruturas das Promotorias de Investigação Criminal (PICs) de Londrina, Foz do Iguaçu e Cascavel. Informações extra-oficiais sobre possíveis mudanças nas três unidades circularam depois que o governo do Estado solicitou o imóvel onde hoje está instalada a PIC de Curitiba, no bairro Ahú. O imóvel foi cedido pelo Executivo em 2001, na gestão do então governador Jaime Lerner. A Polícia Militar também solicitou à PIC de Curitiba o retorno dos sete policiais militares que trabalhavam no órgão.
Parlamentares de oposição comentavam que se tratava de uma retaliação do governador Roberto Requião (PMDB), já que a PIC investiga um esquema de grampos telefônicos clandestinos que envolve pessoas ligadas ao Executivo, e também aos poderes Legislativo e Judiciário. Apontado pela PIC como o ''comandante'' do esquema, o policial civil Délcio Rasera estava cedido ao Palácio Iguaçu desde 2003. À frente da Imprensa Oficial, órgão do governo do Estado, João Formighieri também foi denunciado pelo MP porque teria solicitado um serviço de grampo a Rasera. A base governista na Assembléia Legislativa acusa a PIC de ter feito ''uso político'' do caso Rasera, já que o esquema foi desarticulado cerca de um mês antes das eleições de 1º de outubro.
O anúncio de que não ocorreriam mudanças nas unidades foi feito após uma reunião em Curitiba, entre os coordenadores e integrantes das quatro PICs. A reunião foi convocada pelo procurador-geral de Justiça e começou às 16 horas de anteontem, seguindo até à noite. Ontem a reunião foi retomada logo cedo e só foi terminar perto do meio-dia. O encontro teria servido para analisar a estrutura e a forma de atuação das unidades, após a retirada do apoio físico e policial na PIC de Curitiba.
De acordo com a nota do MP, ficou estabelecido um plano de atuação conjunta no Estado, ''dando seguimento à atividade da PIC de Curitiba, por meios e mecanismos próprios da instituição''. As PICs também não deixariam de usar das ''prerrogativas requisitórias previstas em lei'', conforme trecho da nota. A PIC poderia, por exemplo, requisitar força policial em caso de necessidade.
Ainda de acordo com a nota do MP, ''os coordenadores lamentaram o posicionamento do governo e reafirmaram o compromisso institucional de atuar no controle externo da atividade policial e no combate ao crime organizado''. O coordenador da PIC de Curitiba, Paulo Kessler, que também é o coordenador geral das PICs, confirma que se inicia a partir de agora ''um estudo para manter a autonomia do órgão em Curitiba''. ''As parcerias são importantes, mas não podem ser precárias'', disse ele.
Kessler explica que as PICs do interior não têm uma capacidade de remanejamento semelhante à da Capital, e que por isso temiam mudanças em relação ao quadro de funcionários.

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