Procurador foi informado sobre a investigação
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sexta-feira, 05 de novembro de 2004
Fernanda Bressan<br> Reportagem Local 
O procurador geral do município, Carlos Scalassara, confirmou ontem que foi procurado pelo promotor Claudio Esteves na semana passada para informar sobre documentos e contas telefônicas detalhadas que vazaram da Sercomtel. Na conversa, Esteves detalhou que entre os documentos havia contas telefônicas do prefeito Nedson Micheleti (PT) e do secretário de obras Aloysio Crescentini de Freitas, segundo o procurador. ''Ele falou que tinha apreendido contas e que estava investigando a situação'', afirmou Scalassara.
A irregularidade na Sercomtel está sob investigação da Promotoria de Investigações Criminais (PIC), que trabalha para descobrir como esse material sigiloso e restrito a pouquíssimos funcionários foi parar nas mãos de Paulo Rodrigues, detido por portar munição ilegal em outubro deste ano. Rodrigues prestou depoimento à PIC e disse ser detetive particular. Entretanto, Esteves disse que ele não deu detalhe algum sobre o que estaria investigando e a pedido de quem. Paralela à investigação da PIC, a Sercomtel abriu sindicância interna para apurar a irregularidade. ''Em princípio, as medidas que teriam que ser tomadas já foram'', observou Scalassara.
O procurador disse ter conversado com o prefeito sobre o caso mas argumentou que Nedson disse à imprensa que não foi comunicado por não ter sido procurado pessoalmente pelo promotor. ''Eu comentei com o Nedson mas ele acha que esse contato teria que ter sido feito pessoalmente com ele'', ponderou Scalassara.
Esteves negou ontem que contas de telefone do secretário de Fazenda, Wilson Sella, também teriam sido encontradas com Rodrigues. Ele garantiu ainda que não chegou a ocorrer grampo nos telefones mas não descartou a possibilidade de que isso viesse a ocorrer. ''Uma coisa são os documentos vazados e a outra é a possibilidade que eles (o detetive e para quem ele trabalhava) fizessem grampos clandestinos'', esclareceu. Esteves adiantou que há ligação entre as contas e os documentos, que se referiam a solicitações judiciais feitas à Sercomtel para encaminhamento de processos diversos.
A Folha esteve ontem durante o dia e no início da noite na residência de Rodrigues mas não conseguiu encontrá-lo. Tanto o porteiro do dia quanto o da noite disseram que não vêem o morador há alguns dias. A Folha conseguiu falar com o pai de Rodrigues, sem se identificar, e recebeu a informação de que ele está na cidade. Ele não quis fornecer o telefone do filho.


