O procurador jurídico da Câmara de Londrina, João dos Santos Gomes Filho, não revelou até o final da noite de ontem qual seria o parecer que iria orientar os vereadores durante a votação sobre o pedido de cassação do mandato do prefeito afastado Antonio Belinati (PFL). ‘‘Não quero provocar um fato político para desviar a atenção da leitura do relatório. Vamos ter um pouco de paciência, em sendo provocado pelo presidente da Casa, vou divulgar o parecer’’, justificou.
O presidente do Legislativo, Flávio Vedoatto (PL), informou que só iria solicitar o documento após a leitura da peça de acusação. ‘‘Só vou pedir esse parecer próximo ao momento da votação’’, alegou. O parecer do constitucionalista Celso Ribeiro Bastos é pelo voto nominal fechado, porém João Gomes não admitiu se irá seguir o mesmo raciocínio do advogado, que recebeu R$ 8 mil da Câmara para emitir a orientação.
Caso a opção fosse voto secreto, vereadores de oposição deveriam apresentar um requerimento para que o plenário decidisse a forma de votação. Logo após o início dos trabalhos, ontem pela manhã, o vereador Célio Guergoletto (PMDB) discutiu com Gomes Filho, cobrando uma orientação. ‘‘O procurador está deixando os vereadores sem saber o que fazer’’, cutucou.
‘‘A população tem que tomar conhecimento de quem é quem. Agradando ou não agradando, gostaria de votar de forma aberta’’, concluiu. ‘‘Estou cuidando para que o Direito não perca para a Política aqui dentro. As críticas são políticas, estou fazendo tudo em nome da legalidade’’, reagiu João Gomes Filho.
Já o vereador Renato Araújo (PPB) defendeu abertamente o voto nominal fechado. ‘‘Se o vereador não tem coragem para enfrentar adversidades não pode sentar aqui. Aqui não é local de covardes’’, desafiou. Araújo entende que a Câmara deve seguir o parecer da procuradoria e disse que os advogados Adyr Sebastião Ferreira, Tito Costa e Celso Bastos defendem o voto nominal e fechado. Caso o plenário entendesse o contrário o vereador pretendia se abster.
Antenor Ribeiro (PPB) preferiu ser prudente e não revelou sua opinião. ‘‘Prefiro não antecipar porque na sessão de hoje (ontem) já foi demonstrado isso’’, disse ele, numa menção à suspeição de Carlos Eduardo Santa Rosa (PFL) e Elza Correia (PMDB) decretada ontem pela Justiça. ‘‘Do jeito que vier eu voto’’, analisou Alvair Avelino de Souza (PSB), ao explicar que irá seguir a orientação do procurador jurídico.
Para Antonio Ursi (PFL), o parecer deve ser coerente com o decreto-lei 201/67, que orienta o processo de cassação com votação aberta. ‘‘Caso contrário vamos entrar com um requerimento e acredito que a maioria irá optar pelo voto aberto. Os suplentes Jamil Hatti (PPB) e Francisco Roberto (PT) também se mostraram contrários ao voto secreto.

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