Uma operação do Grupo Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), com o apoio das polícias Militar e Federal, prendeu ontem, 15 pessoas acusadas de desvio de recursos públicos da área da saúde. Entre os presos na operação intitulada ''Antissepsia'', está o procurador-geral do município, Fidélis Canguçu, dois integrantes do Conselho Municipal de Saúde, Marcos Ratto e Joel Tadeu Correia e os presidentes dos dois institutos que terceirizam o serviço na cidade, Silvio Luz Rodrigues Alves (Instituto Gálatas) e Bruno Valverde Chahaira (Instituto Atlântico). Foram cumpridos ainda 30 mandados de busca e apreensão e recolhidos documentos, computadores, três armas e R$ 20 mil em dinheiro, que teriam sido encontrados no carro do procurador, além de dois veículos em nome da mulher de Canguçu. O Instituto Gálatas é responsável pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), e o Instituto Atlântico pelo Programa Saúde da Família (PSF) e Policlínica Municipal.
Enquanto estava sendo levado para o Gaeco pelos promotores, o procurador afirmou que não sabia o motivo de sua detenção. ''O pessoal (dos institutos) me procura para resolver problemas jurídicos, só isso. Eu e a controladoria estamos investigando as irregularidades'', afirmou. Além disso, o procurador ressaltou que a Prefeitura não teria depositado o valor referente à quarta parcela dos serviços prestados pelos institutos, cerca de R$ 2 milhões, ''porque eles não contrataram médicos'' o suficiente para suprir o caos na saúde.
Já na sede do Gaeco, o advogado do Instituto Gálatas, André Cunha, ressaltou que todas as ações e serviços prestados pela empresa são detalhados e enviados à Prefeitura, portanto não existiria irregularidades. ''Todas as prestações de contas foram enviadas, mensalmente, justamente para evitar esse tipo de situação. As adversidades são públicas, e temos dificuldades de encontrar médicos interessados em trabalhar na área em Londrina, mas não existe desvio de dinheiro.''
Durante a toda a manhã, e parte da tarde de ontem, os promotores Cláudio Esteves, Renato de Lima Castro, Leila Voltarelli e Jorge Barreto, e o delegado Allan Flore, ouviram os depoimentos dos suspeitos.
O promotor Cláudio Esteves revelou que a investigação já dura cerca de quatro meses, e que as prisões temporárias, efetuadas ontem, tem como finalidade ''esclarecer melhor'' fatos que levaram a abertura da investigação.
''A operação é resultado de uma investigação que tem o obejtivo de apurar se as Oscips, que prestam serviço a área da saúde, para o município de Londrina, por ventura, estariam corrompendo agentes públicos, ou sofrendo ameaças, para pagar propina a esses agentes, com a finalidade de liberar os pagamentos das parcela pertinentes aos termos de parceria que essas Oscips possuem'', afirma.
Segundo Esteves, as denúncias partiram de pessoas que apresentaram notas fiscais fraudulentas. ''A investigação tem por objeto a apuração dos crimes de corrupção passiva, corrupção ativa, formação de quadrilha, sob o caráter de organização criminosa, falsificação documental, estelionato e crime contra a administração pública.''
Quando questionado sobre a a participação de Canguçu no suposto esquema, Esteves disse que não poderia, ainda, revelar mais detalhes. ''A delineação da conduta de cada um dos agentes, é objeto da propria investigação em si.''
Durante a entrevista coletiva, a promotoria chegou a atribuir a responsabilidade, pelos recorrentes escândalos envolvendo a prestação de serviços em Londrina, à deficiências dos órgãos de controle competentes. ''Todas as vezes que chega até as esferas do Estado, de repressão, como é o próprio Ministério Público e a polícia, a atividade de investigar isso, é porque as outras esferas de controle não conseguiram desempenhar a suas atividades adequadamente'', alegou.
Sobre os novos rumos das investigações o promotor disse que ainda há testemunhas a serem ouvidas. ''O inquérito vai ser conduzido com a inquirição de diversas pessoas e análise desses documentos apreendidos. Após verificaremos os delitos que tenham, por ventura, sido comprovados e haverá o oferecimento de denúncia'', concluiu.


PRISÕES TEMPORÁRIAS

Veja os nomes e os núcleos a que pertenciam os 15 presos na operação deflagrada pelo Gaeco:

NÚCLEO INSTITUTO
GÁLATAS
Silvio Luz Rodrigues Alves
Glaucia Chiararia Rodrigues Alves

NÚCLEO INSTITUTO ATLÂNTICO
Bruno Valverde Chahaira
Lucas Cavenagui Modesto
Wagner Cecílio da Silva
David Garcia de Assis
Andre Augusto de Oliveira
Gustavo Henrique Politti
NÚCLEO
ADMINISTRAÇÃO
Fidelis Canguçu
Joelma Aparecida da Silva

NÚCLEO CONSELHO
DE SAÚDE
Marcos Rogerio Ratto
Joel Tadeu Correia

OUTROS
Admilson Antonio Monarin
Tiago Cesar Marcello
Claudecir Antonio Lamberti

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