Procurador é alvo de duas cartas-bomba
Paulo Pegoraro
De Cascavel
A Polícia Federal (PF) desativou ontem duas cartas-bomba endereçadas por Sedex ao procurador da República em Cascavel, Celso Antônio Três. Embora a Polícia não tenha confirmado que se tratava de bombas, moradores da região dos Correios, área central da cidade, e a Folha ouviram a detonação dos artefatos. Uma fonte disse à Folha que, pelo som, aparentava ter poder explosivo considerável.
Celso Três, 37 anos, dois filhos, é um dos maiores especialistas do País em rastreamento de lavagem de dinheiro, que podem ter vinculação com o narcotráfico. Em abril, o carro do procurador havia sido atingido por disparo de espingarda calibre 12. Certamente, nos dois casos trata-se de tentativa de intimidação, disse ele, que está se transferindo para o Rio Grande do Sul, revelando que apressará sua saída da cidade, embora a CPI do Narcotráfico e a Comissão Especial da Assembléia do Paraná (CEI) queiram sua permanência para auxiliar nas investigações (leia texto ao lado).
Os artefatos, embrulhados em papel e com tamanho igual ao de uma caixa de CD, foram desativados no início da tarde por especialistas em explosivos de Curitiba. Um sargento da Polícia Militar que participou do isolamento da área a rua de uma quadra inteira disse que houve uma explosão na detonação do primeiro artefato, em um terreno baldio na frente dos Correios, o que foi confirmado por uma moradora de um prédio das imediações.
A imprensa foi mantida afastada a reportagem da Folha foi a primeira a chegar ao local logo após a primeira detonação, mas não houve possibilidade de acompanhar a ação da PF no terreno baldio. Foi possível fazer fotos à distância e ouvir um estampido, na desativação do segundo artefato. Os policiais não deram explicações, informando apenas que o material recolhido será submetido a exames em Curitiba.
O gerente regional dos Correios, Orlando Vilas Boas, disse que é absolutamente precipitado falar em bomba, por isso prefere a expressão encomenda suspeita. A Folha apurou que os dois volumes foram postados em São Paulo (SP), com nome e endereço fictícios do remetente, tendo como destinatário Celso Antônio Três, e com seu endereço errado ao invés da procuradoria, o Fórum da Comarca de Cascavel. Três teria que pagar R$ 300,00 para retirar os volumes. Os volumes estavam em um cofre. A gerência dos Correios levantou suspeitas sobre os volumes, depois que o procurador não quis retirá-los.
Celso Três disse que não se interessou pela encomenda por desconhecer sua origem e o conteúdo. Imaginei que fosse alguma coisa daquelas que picaretas mandam pelo Correio, para a gente pagar e depois ver que é uma bobagem qualquer, ironizou.
Seja o que for e qual a motivação, o fato é que minha família está absolutamente alarmada, disse Três. A mulher e os dois filhos ambos de 9 anos exigiram que ele apresse a ida para Caxias do Sul (RS), para onde pediu remoção, depois de três anos em Cascavel.
Ele revelou ontem que, por pressão da família, acelerará a mudança. Por mim, até que ficaria, para colaborar. Sou um ser humano e não quero deixar minha família nesta situação de abalo emocional, afirmou.Artefatos endereçados a Celso Três, responsável por investigações de lavagem de dinheiro, foram encontrados nos Correios
Edson MazzettoOPERAÇÃOA área próxima aos Correios foi isolada para a retirada dos artefatos, que foram desativados por agentes (no detalhe)





