Procurador é acusado de favorecer PT de Campo Grande
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terça-feira, 26 de novembro de 1996
Luiz Taques 
CAMPO GRANDE - O presidente do diretório regional do PMDB, senador Ramez Tebet, acusou ontem o procurador da República no Mato Grosso do Sul, Paulo Tadeu Gomes Silva, de estar beneficiando o PT no processo em que o candidato derrotado Zeca do PT pede a anulação do segundo turno em Campo Grande. O deputado federal André Puccinelli (PMDB) elegeu-se prefeito no último dia 15 por uma diferença de 411 votos.
Ex-assessor de bancada do PT, o procurador volta a colocar-se a serviço da legenda, extrapolando de suas funções ao entrar em residências sem ordem judicial e comandar, pessoalmente, operações policiais, acompanhado de políticos da coligação derrotada. na tentativa de induzir os resultados segundo seus interesses, como atestam testemunhas em poder do partido, diz um dos trechos da nota oficial divulgada pelo senador Ramez Tebet.
Antes de passar no concurso para procurador da República, o advogado Paulo Tadeu Gomes da Silva assessorou na Câmara Municipal de Campo Grande o então vereador e hoje deputado estadual do PT Eurídio Ben-Hur. Nestas eleições, Ben-Hur foi o candidato a vice-prefeito na chapa encabeçada por Zeca do PT. A Folha não conseguiu ontem localizar o procurador, que viajou para o Distrito Federal,
O jornalista Guilherme Filho, um dos coordenadores de campanha do candidato André Puccinelli, disse que o PMDB não decidiu ainda se vai pedir o afastamento do procurador Paulo Tadeu Gomes da Silva do processo. É que nós nem fomos notificados oficialmente sobre esse caso, disse Filho.
Um outro trecho da nota do senador Ramez Tebet assegura que a irracionalidade e o desespero desses grupos os levam a montar uma farsa, lançando mão de atos de terrorismo e abuso de poder como invasão de escolas e residências, sequestro de estudante e coação de eleitores, além da montagem e falsificação de provas contra o resultado das eleições, atitudes só conhecidas durante a ditadura do regime militar.
Na semana passada, agentes da Polícia Federal prenderam, em flagrante, cinco cabos eleitorais no instante em que eles efetuavam o pagamento a eleitores pela compra de votos. Em depoimento à Polícia Federal os cabos eleitorais disseram que estavam a serviço da campanha do candidato vitorioso nas urnas, André Puccinelli (PMDB). Anteontem a Polícia Federal deteve três mulheres que se encontravam na residência de um cabo eleitoral. Elas disseram que aguardavam o pagamento da segunda parcela de R$ 20 (cada) por terem votado no candidato do PMDB. Na mesma residência, a Polícia Federal apreendeu um título de eleitor e uma lista contendo 10 nomes e os respectivos números dos títulos eleitorais. A assessoria de comunicação da PF não quis informar o nome do dono da residência, que consegiu escapar antes da chegada dos policiais. A busca foi realizada com ordem judicial, segundo a PF.


