Procurador do Estado defende Comep com status de secretaria
O procurador-geral do Estado, Joel Coimbra, disse ontem em Maringá que está havendo um equívoco na interpretação do projeto que cria a Coordenadoria das Regiões Metropolitanas do Estado e de Projetos Especiais (Comec). A proposta, do governo do Estado, está sendo criticada por prefeitos das regiões de Londrina e Maringá. Eles alegam que o projeto fere a autonomia dos municípios e é centralizador, já que concentra decisões em Curitiba.
Quando ainda era deputado, Coimbra conseguiu aprovar a Região Metropolitana de Maringá, e explica que a coordenadoria vai substituir o órgão que antes cuidava apenas da Região Metropolitana de Curitiba. A princípio o órgão não reduz nem descaracteriza o projeto das Regiões Metropolitanas de Maringá e Londrina, garante.
A única divergência dele em relação à intenção do governo de criar a Comep é que pela proposta o órgão será vinculado à Secretaria de Planejamento. Quero que a coordenadoria tenha status de secretaria, para garantir maior capacidade de articulação na defesa dos interesses de cada região, diz.
O deputado Geraldo Cartário (PFL) tentou transformar a Comep em secretaria. O objetivo seria acomodar o deputado Luiz Carlos Martins (PFL), que não se elegeu e ficou como primeiro suplente. Mas o governador Jaime Lerner (PFL) descartou. Cartário acabou pedindo licença médica e Martins assumiu por 120 dias, a partir de fevereiro.
Ao defender a criação da Comep, Coimbra lembra que as RMs terem problemas comuns, que podem ser solucionados com o apoio de técnicos na troca de experiências. Ele afirma que cada RM terá seus representantes na coordenadoria. O trabalho será em defesa de todas as regiões metropolitanas, dentro da característica de cada uma, garante. O procurador diz que as RMs do interior não terão a autonomia afetada. Cada região vai coordenar seus projetos de desenvolvimento com as características dos municípios integrados.
A assessoria do prefeito Jairo Gianoto (PSDB), de Maringá, informou ontem que ele teve acesso ao projeto do governo e acredita que a coordenadoria pode descaracterizar a idéia inicial de desenvolvimento das RMs. O prefeito de Londrina Antonio Belinati (sem partido) disse que pedirá apoio da Assembléia Legislativa para impedir que a proposta seja aprovada como está.
Do que depender dos deputados da região, o pedido do prefeito será atendido. O deputado estadual Moysés Leônidas (PDT), de Londrina, disse ontem que a proposta do governo é impositiva. Ele é membro da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Assembléia, onde a proposta está sendo analisada. Ainda não chegou para minha avaliação, mas acho absurdo porque é mais uma vez o Sul interferindo aqui, criticou.
Ele disse que quer evitar que as regiões metropolitanas de Londrina e Maringá voltem a ficar com o pires na mão. O Estado tem direito de fazer a coordenação, mas quem diz o que precisamos fazer somos nós, afirmou. Ele considerou a criação de dois cargos na Comep - um para a região de Londrina e outro para Maringá - como esmola. Queremos discutir de igual para igual porque respeito é bom e a gente gosta.
Para o deputado estadual Antônio Carlos Belinati (PSB), a coordenação central, em Curitiba, submete a solução de problemas comuns a lideranças que não conhecem, necessariamente, as dificuldades das regiões. Queremos independência e não empurrar nossas dificuldades para outra região resolver, afirmou. Ele está elaborando um estudo para incluir Bela Vista do Paraíso na Região Metropolitana de Londrina, que abrange ainda Cambé, Ibiporã, Rolândia, Jataizinho e Tamarana.Arquivo FolhaContraMoysés Leônidas: O Estado tem direito de fazer a coordenação, mas quem diz o que precisamos fazer somos nós. Queremos discutir de igual para igual. Respeito é bom e a gente gostaArquivo FolhaA favorJoel Coimbra: A princípio, o órgão não reduz nem descaracteriza o projeto das Regiões Metropolitanas de Maringá e Londrina. Cada região coordenará os seus projetosMarcos Zanatta
e Patrícia Zanin





