Procurador do Estado critica MP
Luciana Pombo
De Curitiba
O procurador-geral do Estado, Joel Coimbra, considerou ontem que o ex-delegado-geral da Polícia Civil João Ricardo Képes Noronha conseguiu habeas-corpus junto ao Tribunal de Alçada em consequência de displicência do Ministério Público. No meu ponto de vista, é curioso que o Ministério Público tenha ficado 38 dias com o processo, sem oferecer denúncia, criticou Coimbra, que já foi promotor criminal por oito anos em Umuarama e Maringá.
Segundo ele, os promotores resolveram perder tempo criticando o fato de a CPI do Narcotráfico ter favorecido o ex-secretário da Segurança Cândido Martins de Oliveira e deixaram de trabalhar na produção de provas. Isso influenciou muito na concessão do habeas-corpus, argumentou.
Para Coimbra, a revogação da prisão temporária de Noronha foi justa. Não tinha como deixá-lo com a prisão decretada por mais de 30 dias, sem indiciá-lo em processo criminal. Se tivesse ocorrido isso, em vez do habeas-corpus o juiz teria determinado a prisão preventiva, avaliou. Ele acredita que o caso de Noronha merecia destaque prioritário. Eles (promotores) tinham que ter dado prioridade a este caso, em vez de pensarem em denunciar os demais policiais e o delegado Kiyoshi Hattanda, complementou.
O procurador-geral da Justiça do Paraná, Marco Antonio Teixeira, defendeu o Ministério Público das críticas de Coimbra. Não me parece adequado escolher indiciados para privilegiar as investigações da Promotoria de Investigações Criminais (PIC). Não temos estrutura para eleger prioridades, justificou.
Teixeira afirmou que a revogação da prisão temporária de Noronha em nada afeta a sequência dos procedimentos que a PIC vai adotar. Estamos investigando nove fatos mantidos sob sigilo em relação ao ex-delegado geral. Em conjunto com os promotores da PIC, estamos analisando quais os procedimentos processuais que deveremos adotar a partir de agora, adiantou.
Ele informou que até amanhã devem ser abertos os primeiros processos-crime contra policiais civis e pessoas que foram investigadas a pedido da CPI do Narcotráfico durante sua passagem pelo Paraná, no mês passado. (Colaborou Rubens Burigo Neto)





