Brasília - O procurador-geral da República, Antônio Fernando de Souza, disse ontem ter recebido documentos que confirmariam o envolvimento do presidente da Câmara, Severino Cavalcanti (PP-PE), no suposto ''mensalinho'', o que dispensaria a quebra de sigilo do deputado. ''Recebi documentos que confirmam o envolvimento de Severino'', disse o procurador, ressaltando que foram entregues a ele de ''livre e espontânea vontade''.
Na sexta-feira, a PF (Polícia Federal) enviou ao Supremo Tribunal Federal o inquérito que investiga uma suposta tentativa de extorsão praticada pelo empresário Sebastião Buani contra Severino. No relatório preliminar da investigação, a PF diz existir ''indícios veementes de crime praticado por parlamentar'' e também pede a quebra dos sigilos bancário e telefônico de Severino e de Buani. Parlamentares têm foro privilegiado para esse tipo de investigação.
Ontem, o relator do caso no STF, ministro Gilmar Mendes, encaminhou o relatório ao procurador-geral para que ele dê um parecer. O procurador pode desde pedir novas diligências até oferecer a denúncia, caso tenha provas. Depois de receber o parecer, Mendes decidirá os próximos passos do caso. No inquérito encaminhado ao Supremo, a PF levantou dados que derrubam a tese de que o cheque de R$ 7.500, apresentado por Buani como prova do pagamento do suposto ''mensalinho'' a Severino, tinha como destino despesas de campanha do filho do presidente da Câmara, morto em 2002.

mockup