Procurador denuncia ex-funcionário de Pitta
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terça-feira, 08 de abril de 1997
Agência Folha 
BRASÍLIA - O ex-funcionário da Prefeitura de São Paulo, Nivaldo de Almeida, disse a autoridades paranaenses que conseguiria aprovar junto ao Banco Central qualquer valor para emissão de títulos destinados a pagamento de precatórios. A denúncia foi feita ontem à CPI dos Precatórios por uma testemunha convocada pelo relator, Roberto Requião (PMDB-PR). Trata-se de Luir Ceschin, procurador-chefe da Secretaria de Assuntos Especiais da Procuradoria Geral do Estado do Paraná.
Se eu falei alguma coisa do Banco Central foi contando vantagens, porque não tem nada a ver, disse Nivaldo, que também prestou depoimento. O sr. Nivaldo me foi apresentado como uma pessoa autorizada pelo governo para tratar de precatórios, disse Ceschin. Ele afirmou ter conversado com Nivaldo em duas ocasiões, em outubro e novembro do ano passado. Segundo o procurador, Nivaldo queria uma lista de precatórios (dívidas judiciais) que pudessem justificar uma emissão de títulos no Paraná. Chamou a atenção o valor pretendido, de cerca de R$ 1 bilhão. Isso era quatro vezes mais do que o valor dos precatórios, disse Ceschin. O procurador disse a Nivaldo que não dispunha das informações que ele solicitava. Nesse momento, ele ligou, na minha frente, para o senhor Mário Petraglia, a quem pediu o número de um funcionário do Poder Judiciário, afirmou.
Petraglia, controlador do grupo Inepar, atuou nas campanhas eleitorais dos governadores Jaime Lerner (Paraná) e Paulo Afonso Vieira (Santa Catarina), segundo Requião. Nivaldo negou contato com Petraglia. Num primeiro momento, disse que esteve em Curitiba para fazer orçamento de armário embutido para sua casa. Depois, admitiu as reuniões na procuradoria.


