Curitiba - Para os promotores do Ministério Público (MP) estadual que investigaram durante três meses a existência de um caixa 2 na campanha do prefeito de Curitiba, Cassio Taniguchi (PFL), as provas obtidas já são suficientes para que seja movida uma ação judicial contra o prefeito. No relatório de 18 páginas encaminhados ao Tribunal de Justiça (TJ), os promotores acreditam que está ‘‘evidenciado em robustez o crime eleitoral’’, e pedem que o processo seja encaminhado ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE).
Caso o TJ decida encaminhar o processo ao presidente do TRE, desembargador Roberto Pacheco da Rocha, a decisão de oferecer uma denúncia contra o prefeito caberá ao procurador eleitoral Luiz Sérgio Langowski. Ele poderá decidir se serão necessárias mais diligências para a comprovação de crime eleitoral. ‘‘Nós acreditamos, entretanto, que o material coletado já é suficiente para a denúncia’’, afirmou a promotora Maria Espéria Moura.
O MP encaminhou ao TJ, além dos 26 volumes que compõem o processo, uma auditoria realizada nos documentos entregues aos promotores pelo tesoureiro da campanha à reeleição de Cassio, Francisco Paladino Júnior. Segundo o levantamento, há indícios fortes da realização de operações ilícitas nas doações feitas ao comitê do PFL. Algumas empresas teriam feito doações à campanha e recebido o mesmo valor em dinheiro no dia seguinte, o que, segundo a auditoria, pode caracaterizar ‘‘calçamento de nota fiscal e sonegação ao fisco estadual ou (...) ao fisco municipal’’.
As denúncias sobre sonegação continuarão sendo investigadas pelo MP. Mais de 100 empresas que prestaram serviços ao comitê do PFL estão sendo investigadas. Os promotores também poderão mover ações contra pessoas que prestaram depoimentos falsos ao órgão, uma vez que as investigações foram encerradas sem que os depoentes retificassem suas informações.
É o caso do coordenador financeiro da campanha de Cassio, Mário Lopes Filho, que negou serem suas as assinaturas em recibos e documentos analisados pelos promotores. Posteriormente, uma perícia realizada pelo Instituto de Criminalística confirmou ser de Lopes Filho a caligrafia encontrada na documentação. (R.S.)

mockup