Luiz Gonzaga Mendes de Barros é hoje uma das pessoas mais conhecidas em Alagoas, onde foi deputado estadual por dois anos. Bem-humorado, com seu polpudo salário de R$ 37 mil por mês, Mendes de Barros não se importa de ser considerado o famoso marajá de Alagoas. Procurador-geral da Assembléia Legislativa do Estado desde 1961, Barros quer sair da vida pública, desde que o governo lhe pague uma indenização de R$ 685 mil.
O marajá-mor do Brasil não sente nenhum constrangimento em falar sobre seu alto salário, que, na realidade, seria de R$ 370,58. Entretanto, com gratificações, vantagens incorporadas e uma série de benefícios, o seu contracheque registra R$ 37.335,61. Só os descontos dariam para o Estado quitar os salários de 100 funcionários públicos. ‘‘Não tenho culpa de ganhar isso’’, diz Barros, enquanto fuma calmamente seu cachimbo. ‘‘É a lei, não posso ser contra a lei’’.
Mendes de Barros diz que os seus vencimentos são todos legais. Tanto é que nenhum governador que passou por Alagoas nos últimos 30 anos conseguiu suprimir suas vantagens. ‘‘Eu enfrentei a ditadura, que caiu de podre; depois enfrentei um presidente alucinado e ladrão que sofreu impeachment (referindo-se ao ex-presidente Fernando Collor) e agora um governador que deixou o cargo’’, diz Mendes.

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