Brasília - O procurador federal Frederico de Carvalho Paiva expôs ontem o embate, até então nos bastidores, entre o Ministério Público e a Justiça no âmbito da Operação Zelotes, deflagrada em março pela Polícia Federal para apurar crimes praticados por empresas e pessoas físicas no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda (Carf). A falta de sintonia teria prejudicado a costura de acordos de delação premiada e a consolidação de provas, segundo o procurador do 6º Ofício de Combate à Corrupção da Procuradoria da República no Distrito Federal. Ele espera conseguir delações após apresentação das primeiras denúncias, previstas para junho e julho.
A perspectiva modesta e as críticas ao Judiciário ocorreram em audiência pública na Câmara dos Deputados, onde Paiva disse que foram recusados 26 pedidos de prisão preventiva e quebras de sigilos telefônicos solicitados à 10ª Vara Federal. A recusa teria sido, segundo ele, executada pelo juiz Ricardo Leite. "Isso atrapalhou a investigação e não vamos conseguir avançar 10% do que foi praticado no Carf", lamentou.
A Zelotes investiga esquema de corrupção envolvendo R$ 19,6 bilhões em impostos e tributos não cobrados a partir de decisões compradas junto a integrantes do Carf por cerca de 60 empresas. O procurador confia que desse total serão recuperados apenas R$ 5 bilhões de 15 a 20 empresas, cujos "indícios mais fortes, veementes" podem sustentar processos consistentes. "Muita coisa não tem mais prova", relatou.
Paiva relatou que o esquema envolvia escritórios de advocacia e consultorias de fachada que prestam serviço "legalizado" por contratos, por meio dos quais recebiam propina para influenciar nas decisões do Carf. "É um esquema de corrupção privado. Era tão secreto que os políticos não descobriram. Ficava entre eles (integrantes do Carf e lobistas) para não partilhar nada." A reportagem tentou contato com o juiz Ricardo Leite, mas não teve retorno.

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