Procurador dá tapa no rosto de professor
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sexta-feira, 23 de março de 2001
Marta Medeiros De Maringá 
O procurador geral do Estado, Joel Coimbra, agrediu ontem com um tapa no rosto o professor Paulo Cezar de Freitas Mathias, da Universidade Estadual de Maringá (UEM). A agressão aconteceu logo após o encerramento de um debate entre os dois num programa da TV Cidade, emissora de canal a cabo de Maringá. O professor registrou queixa na 9ª Subdivisão Policial e será aberto inquérito para investigar o caso.
Em Curitiba, a assessoria de imprensa do Palácio Iguaçu alegou por volta das 19h30 que o governador Jaime Lerner ainda não tinha conhecimento da agressão, apesar de o fato ter acontecido por volta do meio-dia. A assessoria argumentou que Lerner não estava no Palácio e seria comunicado ainda ontem sobre o ocorrido.
As imagens do programa TV Total não mostram os rostos do procurador e do professor na hora da agressão, mas exibem claramente o momento em que Joel Coimbra, que é de Maringá, estende o braço e atinge Paulo Mathias. Segundo o professor, o procurador o agrediu verbalmente e depois com um tapa. Coimbra e Mathias debatiam a greve realizada pelos professores da UEM no ano passado e que resultou em um processo administrativo disciplinar aberto pela Procuradoria Geral do Estado contra um aluno e dois professores da universidade, entre eles Mathias.
O professor disse ontem à Folha que se sente humilhado pela situação. Este governo é repressivo e agora tenta nos calar à força. Ele afirmou que passou a sentir medo de frequentar a universidade. As nossas forças têm limite, ressaltou Mathias. Para ele, o governo não tem mais argumentos contra o movimento grevista do ensino superior e tenta evitar reivindicações por meio de processos.
Apesar de Joel Coimbra negar à Folha que tenha agredido o professor com um tapa no rosto, as imagens da TV confirmam que houve a agressão. Vi ele caindo da cadeira, mas não sei o que aconteceu, alegou o procurador. Ele disse também que o professor está fazendo jogo de cena para deturpar o processo disciplinar. Ele (Mathias) está tentando também fazer campanha para a presidência do sindicato da categoria e por isso armou este jogo político, afirmou o procurador.
Conforme o delegado adjunto da 9ª SDP, Nilson Rodrigues, a partir da representação criminal do professor a polícia irá abrir inquérito. Rodrigues contou que o caso denunciado é considerado crime contra a honra. Vamos a princípio apurar o crime de injúria real, afirmou. Ele explicou que por ser procurador do Estado, Joel Coimbra terá foro privilegiado para responder ao inquérito. Mas será tratado como um cidadão comum, disse Rodrigues. (Colaborou Rosane Henn)


