O procurador jurídico da Câmara Municipal de Londrina, Airvaldo Stella Alves, disse que a ''credibilidade'' da representação protocolada na Casa anteontem contra nove vereadores que receberiam um suposto ''mensalinho'' pode afetar, senão o início de processo de investigação, pelo menos o julgamento em plenário. A afirmação foi feita ontem durante entrevista coletiva na qual admitiu estar ''desconfortável'' para falar a respeito do assunto. Afinal, ele foi nomeado justamente por um dos vereadores sob os quais é pedida investigação: o presidente do Legislativo, Sidney de Souza (PTB).

Na última segunda, o apresentador de tevê Vagner R. de Oliveira, juntamente com outras 22 pessoas, assinaram representação na qual é pedida abertura de processo disciplinar contra os vereadores citados pelo ex-vereador Orlando Bonilha (PR) em depoimento ao Ministério Público (MP).

O grupo se referiu ao suposto pagamento de um ''mensalinho'' pela empresa Transportes Coletivos Grande Londrina (TCGL) aos vereadores Luiz Carlos Tamarozzi e Sidney de Souza (PTB) - os quais, como corregedor e presidente, respectivamente, ficam vedados pelo Código de Ética a atuarem em qualquer procedimento afeto à representação -, Gláudio Lima (PT), Marcelo Belinati e Sandra Graça (PP), Flávio Vedoato (PSC), Osvaldo Bergamin (sem partido), Renato Araújo (PP) e Jamil Janene (PMDB). Todos os parlamentares negam a acusação do colega cassado.

Apesar de citar a credibilidade do autor da representação na condição de provável pré-candidato à Câmara, e do próprio Bonilha, que se beneficiaria da delação premiada, Airvaldo garantiu que não recomendará arquivamento. A FOLHA selecionou alguns trechos da coletiva concedida ontem pelo procurador na sala da Presidência:

O que a Procuradoria fará com a representação?
Airvaldo: Primeiro, temos que verificar o grau de credibilidade das informações. Segundo, vamos verificar se o representante não tem nenhum interesse político-partidário, porque aqui não é casa de disputas políticas, de alijamento de futuros adversários nas disputas eleitorais. Evidentemente que, se a representação parte de uma pessoa descompromissada com qualquer partido, aí vamos dar outro grau de credibilidade. Senão, vemos a iniciativa com reserva.


Dá para inferir disso que a Procuradoria deverá pedir o arquivamento dessa denúncia?
Airvaldo: Não, em absoluto. Se houver mais elementos de prova, com certeza, a representação não será arquivada. Se ficar nisso, apenas, temos que estudar também o grau de credibilidade da informação do Bonilha.



Qual preceito legal que diz isso sobre o autor da representação?
Airvaldo: É uma análise subjetiva, que demanda verificar quem denuncia, a credibilidade de quem denuncia. Mas vamos pedir tudo o que o MP tiver disso para nos embasar.


Como indicado do presidente da Câmara o senhor se sente à vontade, agora, para emitir um parecer?
Airvaldo: Não, estou completamente desconfortável aqui, e por tudo o que está acontecendo. Vim para dar um ar de respeitabilidade à Câmara, para poder ajudar.


E como está o ar da Câmara hoje?
Airvaldo: Degradante. Até certo ponto, irrespirável.

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