Procurador critica direção do Banestado
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segunda-feira, 17 de fevereiro de 2003
Rodrigo Sais<br> Equipe da Folha 
Curitiba O procurador da República Antônio Celso Três, que durante dois anos investigou as contas CC-5 (de não-residentes), criticou ontem a direção do Banestado por não ter percebido o fluxo anormal de dinheiro enviado para a agência de Nova York no período de 1996 a 1999. Segundo o procurador, tanto a direção do banco como o próprio Banco Central tinham condições de sentir antecipadamente os problemas.
''Se as verbas fossem fracionadas, até poderia se considerar a hipótese de ignorância. Mas pelas quantias movimentadas em uma agência que tinha poucos clientes nos Estados Unidos, seria impossível que o diretor da agência não notasse que havia algo de errado. Nesses casos, ou o diretor é um tapado ou é conivente, e nos dois casos não devia estar no comando da instituição'', afirmou Três.
De acordo com o procurador, a responsabilidade criminal dos diretores da agência pode ser questionada. ''Apenas a partir de 1998 foi criada uma legislação no Brasil que determinava que os bancos fiscalizassem comportamentos suspeitos em relação a lavagem de dinheiro. A partir de então, as instituições foram obrigadas a ficar atentas a remessas de divisas vultuosas, ou casos em que as quantias não batessem com o que se esperava do titular da conta'', lembra. Mas, antes de 1998, ''a evasão ilegal de divisas e a falta de tributação já eram considerados crimes'', ressaltou.
O procurador também fez ontem uma revelação interessante no caso, pela qual a possível lavagem de dinheiro por intermédio da agência do Banestado em Nova York poderia ter sido detectada muito antes. ''Em 1999, enviei um relatório no qual apontei a demora nas atividades da Polícia Federal, que é a responsável pelos inquéritos nos casos de crimes contra o sistema financeiro. Os documentos estavam todos disponíveis, necessitando apenas um pouco de empenho'', criticou.
O presidente do Banestado em 1995 foi Luiz Antonio Fayet. Seu sucessor, que ficou até meados de 1997, foi Domingos Murta Ramalho. Manoel Garcia Cid foi presidente do Banestado até a posse de Reinhold Stephanes, que conduziu até outubro de 2000 o processo de venda do antigo banco estatal paranaense ao Banco Itaú. Todos, em entrevista recente à Folha, garantiram que desconheciam qualquer operação ilegal em Nova York.


