Procurador crê em improbidade no Banco Central
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sábado, 24 de abril de 1999
Agência Folha 
O procurador da República Guilherme Schelb, um dos que investigam no Distrito Federal o escândalo do suposto favorecimento a bancos particulares na virada do Plano Real, já está convencido de que a ajuda do Banco Central aos bancos Marka e FonteCindam constituíram, no mínimo, ato de improbidade administrativa de dirigentes ou responsáveis por setores do BC, que teriam, conforme investiga a CPI dos Bancos, permitido vazamento de informações privilegiadas ao mercado no momento da desvalorização do real, em janeiro.
A operação teria desrespeitado o Artigo 10º, inciso 6, da Lei de Improbidade Administrativa, segundo o qual constitui ato de improbidade realizar operação financeira sem observância das normas legais ou regulamentares ou aceitar garantia insuficiente ou inidônea. O BC não exigiu nenhuma garantia dos bancos, disse Guilherme Schelb.
Segundo o procurador, se isso tivesse sido feito, as garantias poderiam ser executadas para ressarcimento dos prejuízos. Se essas garantias fossem insuficientes, haveria a liquidação extrajudicial dos bancos e a consequente indisponibilidade de bens de seus controladores.
A improbidade administrativa não é considerada crime, mas as penas aplicadas a ela são bastante rigorosas: vão da perda dos direitos políticos ao ressarcimento do dano aos cofres públicos, que, no caso, foi de R$ 1,567 bilhão.
A improbidade pode atingir o ex-presidente do BC Chico Lopes e eventualmente os ex-presidentes do período. Chico, pelo qual o próprio presidente FHC teria dito pôr a mão no fogo, tem depoimento marcado para amanhã na CPI dos Bancos.


