O procurador da República no Distrito Federal Luiz Francisco de Souza vai entregar ao Senado e à Procuradoria-Geral da República uma fita inaudível com as denúncias feitas pelo senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), na semana passada, a membros do Ministério Público (MP). Luiz Francisco confessou ontem a autoria da gravação, mas afirmou ter destruído a fita principal, na qual ACM fazia acusações contra ministros do governo e orgãos públicos.
‘‘Pisei nas fitas com o pé, trincando o invólucro plástico da fita, e depois apertei com a mão, deixando os restos no chão para serem jogados no lixo’’, afirmou Luiz Francisco, em nota divulgada ontem, na qual diz ser lícito o fato de ter gravado a reunião, em que estavam ainda os procuradores Guilherme Schelb e Eliana Torelly. Ele confirmou ter passado quase toda a conversa para a revista IstoÉ e disse que alguns trechos não usados pela revista não são importantes.
‘‘Passei a declarar à imprensa, a partir desse dia, que o assunto era irrelevante, recusando-me a dar declarações acerca da existência ou não da fita.’’ A fita será entregue ao procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro.
Na semana passada, o ministro da Justiça, José Gregori, requisitou a gravação a Brindeiro, alegando que seria uma prova relevante em diversos inquéritos na Polícia Federal. Luiz Francisco justifica a destruição da fita com o fato de ter havido um conflito entre ele, Schelb e Eliana.
Ontem, em nova entrevista, o procurador voltou a desafiar ACM, para que apresente documentos citados na reunião. ‘‘Se não encaminhar provas do que disse, sua ação será similar a de uma pessoa de má-f钒, observou. Ele esclareceu que na conversa o senador baiano não fez acusações diretas ao presidente Fernando Henrique Cardoso nem afirmou que houve violação no voto da senadora Heloisa Helena (PT-AL), durante a votação da cassação de Luiz Estevão.

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