Procurador compara Jorge a PC Farias
PUBLICAÇÃO
domingo, 16 de julho de 2000
Gilse Guedes Agência Estado De Brasília 
O procurador federal Luiz Francisco de Souza, envolvido nas investigações do Ministério Público sobre o caso do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) de São Paulo, comparou ontem o ex-secretário-geral da Presidência da República Eduardo Jorge Caldas a Paulo César Farias, tesoureiro de campanha do ex-presidente Fernando Collor. Ele disse ue há indícios de que o ex-colaborador e ex-caixa de campanha do presidente Fernando Henrique Cardoso montou e mantém um esquema de lobby no governo para beneficiar suas empresas.
É preciso tomar cuidado com a comparação, mas não há como deixar de apontar semelhanças entre Eduardo Jorge e PC Farias, que morreu em 1997, por causa da influência no governo e de seu trabalho como caixa nas duas campanhas eleitorais de Fernando Henrique, afirmou Souza. Assim como PC Farias, Eduardo Jorge era um homem muito influente no governo de Fernando Henrique de 1995 a 1998 trabalhando nos bastidores para conquistar apoio político para projetos do presidente, completou.
O procurador começa a receber hoje a relação das empresas do ex-secretário-geral da Presidência requisitada nas juntas comerciais de Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro. O material é fundamental para dar base ao pedido de quebra de sigilo bancário, fiscal e telefônico de Eduardo Jorge e de suas empresas.
Depois da análise do material, começará o trabalho de investigação de eventuais ilicitudes praticadas pelas empresas. São conhecidas as seguintes empresas: o Grupo Meta, do ramo de seguros, a consultoria EJP e a LC Faria Consultores Associados. Essa investigação, comandada pelo Ministério Público, é para se levantar provas do paralelo entre Eduardo Jorge e o caso de desvio de R$ 169 milhões do TRT no qual figuram como personagens o ex-presidente do TRT Nicolau dos Santos Neto, o ex-senador Luiz Estevão e o empresário Fábio Monteiro de Barros, dono da Incal, empresa responsável pela obra do Fórum da Capital.
Hoje, o MP pedirá à Polícia Federal (PF) a investigação do conteúdo e a origem da fita supostamente gravada com o juiz aposentado Nicolau dos Santos Neto, cujo o teor foi publicado parcialmente pela revista IstoÉ e reproduzido pela Folha.
Será feita uma perícia pelo Instituto Nacional de Criminalística (INC) para saber se é Fábio Simão, assessor de Estevão, quem fala com Nicolau, que relaciona o ex-secretário-geral com a obra do TRT. O procurador quer confirmar o suposto envolvimento do ex-senador com a gravação.
Além da revelação da conversa ligando Eduardo Jorge ao caso do TRT, estão o conhecido rastreamente telefônico para a identificação de contatos entre o ex-secretário e o juiz, revelado pela CPI do Judiciário do Senado, além da amizade com Nicolau e Luiz Estevão, que teve seu mandato cassado pelo Senado em junho por quebra de decoro parlamentar no rumoroso esquema de desvio de recursos públicos.
Luiz Francisco explicou que o MP está centrando as investigações sobre o desvio dos R$ 169 milhões para avançar, paralelamente, à rede de lobby montada pelo ex-secretário-geral. O procurador lembrou que o escritório de advocacia Caldas Pereira, que tem entre seus sócios dois irmãos e uma sobrinha do ex-secretário, fez serviços para a Incal. Segundo ele, isso complica mais ainda o ex-colaborador de Fernando Henrique.
O procurador quer ainda conseguir apurar a atuação de Eduardo Jorge em relação aos fundos de pensão, um caixa, segundo ele, sem controle. O ex-secretário era o elo do executivo com a direção dos fundos de pensão das estatais ligados à maior parte das privatizações de grandes empresas estatais do governo Fernando Henrique.


