Procurador busca informações sobre doleiro
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quarta-feira, 12 de novembro de 2003
Cristiane Oya<br> Reportagem Local 
O procurador da República, Vladimir Aras, que compõe a força-tarefa criada em março deste ano para investigar denúncias de lavagem de dinheiro em onze estados da Federação, se reuniu ontem em Londrina com promotores do Ministério Público Estadual (MP).
Recentemente, a força-tarefa ajuizou uma ação penal que gerou a decretação da prisão preventiva do doleiro londrinense Alberto Youssef, acusado de movimentar irregularmente cerca de US$ 3 milhões em uma conta de sua cunhada, Cristina Fernandes da Silva, na agência do Banestado de Nova York, e por sonegar entre 1996 e 1999, um total de R$ 118 milhões em impostos.
Youssef também já teve outras duas prisões preventivas decretadas pela Justiça de Londrina que foram derrubadas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) após denúncias do MP. Conforme a investigação dos promotores, o doleiro seria o responsável pela conta fantasma Freitas & Dutra, aberta em uma agência do Banestado em Londrina, na qual teria sido depositado um cheque de R$ 120 mil, desviado da Prefeitura.
''Londrina, Cascavel, Foz do Iguaçu e Curitiba são, no Paraná, os núcleos centrais onde o esquema funcionava. É preciso que tenhamos esse contato com os promotores de Justiça para que neste trabalho que o Ministério Público Federal (MPF) tem feito, possamos contar com informações que já foram colhidas, já foram trabalhadas, para que não precisemos duplicar esforços, repetir passos que já foram tomados'', justificou. Segundo o procurador, inquéritos já concluídos apontam Youssef como responsável por uma grande quantia de recursos enviados e movimentados no exterior. Entre os anos de 1996 a 2000, através das contas CC5 disponíveis em cinco bancos em Foz do Iguaçu, teriam remetido para além da fronteira, cerca de US$ 24 bilhões.
No dia 15, parte da força-tarefa embarca para os Estados Unidos para apurar, entre outras coisas, a relação entre o traficante Fernandinho Beira-Mar e doleiros. ''Identificamos em um contato com o DHS (departamento de segurança interna dos Estados Unidos), a existência de ligações de uma doleira portuguesa Maria Carolina Nolasko, administradora de contas de brasileiros no estado de Nova Jersey, com o traficante Fernandinho Beira-Mar. É possível que haja relacionamento entre estes doleiros e destes administradores de contas fora do Brasil com pessoas ligadas ao narcotráfico, contrabando de armas, ligados a todo tipo de crime o que mostra efetivamente como é perigosa esta teia de envolvidos neste tipo de criminalidade como a lavagem de dinheiro e evasão de divisas'', afirmou.


