Procurador anuncia saída do governo Requião
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segunda-feira, 12 de março de 2007
Luciana Pombo<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O procurador Sérgio Botto de Lacerda anunciou ontem que irá mesmo deixar o cargo que ocupava no governo Roberto Requião (PMDB). Há 15 dias, Botto de Lacerda havia pedido demissão. Entretanto, o próprio governador não abria mão dos trabalhos prestados por ele na Procuradoria Geral do Estado (PGE).
Requião tentou minimizar a crise interna dentro do Palácio Iguaçu no último domingo, em entrevista à FOLHA, dizendo que as notícias não passavam de boatos para divertir a imprensa. Mas os boatos se concretizaram. À noite, Botto de Lacerda confirmou que não voltará para o governo. ''Acho que já fiz tudo quanto devia no governo. Estou deixando o cargo e o governador já concordou. Não existe retorno'', disse ele à FOLHA por telefone.
Botto de Lacerda era homem de confiança de Requião. Há 20 anos trabalha com o governador como advogado. ''Tenho absoluta confiança nele'', disse à no domingo. Há quatro anos e dois meses no cargo, Botto de Lacerda pediu desligamento dos quadros do Estado por motivos particulares. Ele estava enfrentando sérios problemas de relacionamento com outros integrantes do alto escalão: Luis Carlos Delazari (Ouvidor Geral do Estado), Luiz Fernando Delazari (secretário de Estado de Segurança Pública), Benedito Pires (secretário de imprensa) e Stênio Jacob (presidente da Sanepar).
Botto de Lacerda era considerado como um fiel escudeiro do governador e um dos grandes batalhadores jurídicos do Estado em torno de bandeiras de luta de Requião como o fim dos bingos e a não comercialização de transgênicos. Ele ainda concentrava missões importantes dentro dos conselhos da Administração Portuária, da Copel e da Cohapar. Com a saída de Botto de Lacerda, as negociações internas e fiscalizações de autarquias ficam prejudicadas. ''Saio com tranquilidade. Sei que cumpri uma missão importante no governo. Continuo respeitando o trabalho do atual governo. Mas agora volto às minhas atividades normais'', disse ele. Botto deverá voltar a atuar como procurador do Estado (como os demais) e pode até abrir um novo escritório de advocacia (como o que tinha antes de aceitar o cargo no primeiro governo Requião).


