Procurador analisa dossiê contra Barbosa
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segunda-feira, 30 de junho de 2008
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
O procurador-geral da República, Antônio Fernando de Souza, analisa nos próximos dias se instaura ou não procedimento investigatório contra o deputado federal Barbosa Neto (PDT), acusado por um ex-assessor e coordenador da campanha de 2006 de se apropriar indebitamente de parte de salários de comissionados, e também de nomear funcionários supostamente fantasmas.
O teor da denúncia, exposto à Procuradoria em um dossiê de 40 páginas complementado com um DVD, notas fiscais e contratos, foi revelado anteontem em reportagem do jornal Correio Braziliense e levado ao plenário pelo pedetista, na sessão de ontem, em pronunciamento no qual se disse alvo de ''factóides plantados'' pelo deputado federal Luiz Carlos Hauly (PSDB) - seu colega na bancada paranaense, e adversário no pleito de outubro pela Prefeitura de Londrina.
Segundo a reportagem do Correio, o ex-coordenador de campanha Luciano Ribeiro Lopes teria levado pessoalmente a Brasília o material com as acusações contra Barbosa. Segundo a denúncia, Lopes teria obtido as informações a partir de supostas gravações colhidas em abril passado, com uma câmera escondida, de Rogério Bertipaglia, amigo do deputado há duas décadas e auxiliar na campanha passada. Bertipaglia teria dito, na gravação, que o cartão que utilizava para sacar seu salário da Câmara Federal, então de R$ 7,8 mil, ficava com a esposa do pedetista, Ana Laura Lino Barbosa. Exonerado, o ex-ajudante de campanha fora internado um pouco antes para tratamento de dependência química.
À Procuradoria, de acordo com o Correio, Lopes ainda teria relatado que o deputado nomeara funcionários que, na realidade, despachariam na sede da rádio de Barbosa em Londrina, a Brasil Sul. Segundo a assessoria do procurador-geral da República, o material está ''sob análise para ver se procede a necessidade de investigação''.
Barbosa afirmou que vai exigir ''reparação por danos morais'' contra Hauly porque teria como provar ter partido dele e do gabinete do tucano suposta ''armação política para plantar esses factóides em véspera de convenções''. ''Tenho uma declaração do Bertipaglia dizendo que foram oferecidos a ele R$ 200 mil para gravar o que eles queriam para usar na campanha do Hauly. Não provaram nada contra mim'', disse. ''Abro meu sigilo bancário, fiscal e telefônico, e o de minha mulher, que comprova que tudo isso é armação'', concluiu.
Hauly afirmou que repudia as imputações do pedetista. ''O que queremos agora é a verdade diante dessas acusações que recaem sobre ele. O deputado é radialista, está usando do recurso da retórica para criar um bode expiatório e desviar o foco de si próprio'', definiu.


