Procurador admite estar no meio do fogo cerrado
PUBLICAÇÃO
sábado, 24 de fevereiro de 2001
Edson Luiz e Hugo Marques Agência Estado De Brasília 
Na quinta-feira, quando todos já sabiam o teor da reunião entre o senador ACM e três integrantes do MPF, o procurador da República no Distrito Federal, Luiz Francisco de Souza, parecia arrasado. Provavelmente ele sabia que as suspeitas de ser o autor do vazamento das informações afetariam diretamente sua carreira, que começou no Acre, há quatro anos. Até mesmo alguns de seus aliados dentro do MPF têm certeza disso e ressaltam que a atitude do colega pode colocar em xeque a credibilidade dos demais procuradores.
Souza não confessou a autoria da gravação, mas na quinta-feira seus gestos e palavras demonstravam isso. Não é nenhum crime, ressaltou o procurador aos jornalistas, explicando que não há penalidade se o autor da gravação estivesse presente. Isso pode acabar com a credibilidade que procuramos construir durante esses últimos anos, afirmou um antigo colega de turma de Souza. Essa é uma casa (o MPF) de credibilidade, confirmou Guilherme Schelb, que estava na reunião junto com ACM e que se sentiu traído.
Apesar de ter nascido e crescido em Brasília, foi no Acre que Souza começou sua ascensão e onde ganhou a fama ao enfrentar o ex-governador do Estado, Orleir Cameli, contra quem impetrou diversas ações. Depois, pegou para si a luta contra o ex-deputado acreano Hildebrando Pascoal, que foi cassado e hoje está preso.
Já famoso, mudou o foco de sua atuação para cima de autoridades federais e mais recentemente contra o senador cassado Luiz Estevão, conseguindo até sua prisão por um dia. Mas para alguns colegas, a notoriedade de Souza fez com que ele ultrapasse os limites.
A correria de Souza em apresentar o mais rápido possível as ações causaram comentários irritados de colegas, que defendem uma postura mais clássica e menos afoita. Foi no caso de Luiz Estevão, que só ficou um dia preso por falta de consistência nos argumentos do procurador. Mas Souza acha o oposto. Em sua visão, o MP é que tem de se aproximar mais da sociedade.
Apesar de muitas críticas, ele é reconhecido como um grande intelectual. Nenhum dos colegas, no entanto, consegue decifrar a personalidade do procurador. No episódio da reunião com ACM, integrantes do MP acharam que Souza foi ingênuo. Para quem o conhece bem, esta decisão pode mudar completamente seu comportamento. Estou no meio de um fogo cerrado, admitiu na quinta-feira. De agora em diante, ele vai falar cada vez menos à imprensa.


