Procurador acusa Lerner e Banco Central
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terça-feira, 05 de agosto de 2003
Luciana Pombo<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O procurador da República, Luiz Francisco de Souza, apontou ontem o ex-governador do Paraná Jaime Lerner (PFL) como um dos principais responsáveis pela remessa ilegal de dólares de empresas e pessoas físicas para o Exterior. De acordo com o procurador, a privatização do Banco do Estado do Paraná (Banestado) foi uma ''queima de arquivo''.
Por essa razão, ele sugeriu a anulação do contrato de saneamento com o Banco Central (BC) e da privatização do banco, hoje de propriedade do Itaú. ''A venda do Banestado foi uma tentativa de manter esse rio de corrupção escondido. É impossível que tudo estivesse ocorrendo no Paraná sem o conhecimento do governador de Estado'', declarou o procurador à CPI do Banestado instalada pela Assembléia Legislativa.
Para embasar ainda mais a argumentação, Souza lembrou que cinco bancos operavam ilegalmente através das contas CC-5 em Foz do Iguaçu, garantindo sigilo total para depósitos superiores a US$ 10 mil: Banestado, Banco do Brasil (BB), Banco Real, Banco do Estado de Minas Gerais (Bemge) e Banco Araucária. ''O Banestado e o Banco Araucária movimentaram juntos 70% das remessas feitas com sigilo garantido aos clientes. Fica ainda mais claro a ligação de Jaime Lerner com o esquema de remessa ilegal de divisas'', complementou o procurador.
O Banco Araucária tinha como um dos proprietários Paulo Bornhausen, irmão do senador Jorge Bornhausen, presidente nacional do PFL, mesmo partido de Lerner. Depois, o banco teria sido transferido para três cunhadas do senador catarinense. ''Eu acho que o governador Jaime Lerner deveria vir explicar para o povo paranaense por que resolveu privatizar o banco'', reforçou o procurador. Souza garantiu que o principal responsável pela remessa de mais de US$ 25 bilhões para o Exterior por 144 mil pessoas físicas e jurídicas foi o próprio BC, com a conivência dos ex-diretores Gustavo Franco e Tereza Grossi e com o conhecimento e omissão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). ''Sete por cento do PIB (Produto Interno Bruto) nacional foi drenado neste esquema que lesou o povo do Paraná.''
Dos nomes levantados através de quebra de sigilo bancário nos Estados Unidos, 400 eram de políticos brasileiros. Deste total, 46 são do Paraná. Entre os nomes, que estão sendo mantidos sob sigilo, estão dois candidatos a deputado estadual e federal, 44 candidatos a prefeito ou vereador e um ex-governador. Depois de serem depositados os dólares no banco do Banestado em Nova York, o dinheiro era transferido para outros 800 bancos dos Estados Unidos. ''Todos esses fatos levantados até agora são suficientes para entendermos por que o Banestado precisava ser vendido. O Paraná está pagando uma conta muito cara pelo saneamento e pela privatização'', considerou Souza, lembrando que anualmente o Paraná desembolsa R$ 700 milhões para pagar o empréstimo feito junto ao governo federal para o saneamento do Banestado.


