Procurador acusa Brindeiro de omissão em lavagem de dinheiro
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quarta-feira, 23 de abril de 2003
Maigue Gueths<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O ex-procurador da República em Cascavel Celso Antônio Três acusou o Ministério Público Federal (MPF), Polícia Federal (PF) e Banco Central (BC) de não terem agido com o empenho necessário para apurar e responsabilizar criminalmente os envolvidos no esquema de lavagem de dinheiro feito através do Banestado em Foz do Iguaçu, e denunciado por ele em 1996. ''Aqui existem dois escândalos: de lavagem de dinheiro e da investigação disso, que em seis anos deveria ter indiciado muito mais gente por esses crimes'', afirmou.
Celso Três, que compareceu ontem à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Banestado na Assembléia Legislativa, para esclarecer como era feita a lavagem de dinheiro através das contas CC-5 (para não residentes no País), responsabilizou mais duramente o procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, por não ter levado o caso com mais seriedade, indicando inclusive mais procuradores para atuar no caso em Foz do Iguaçu.
Em sete anos de investigações, ele conta que poderia ter indiciado umas 500 pessoas, mas, segundo ele, houve envolvimento do próprio Ministério Público para que não fizesse isso. Em 1999, antes da CPI do Narcotráfico que também apurou as remessas ilegais de dinheiro pelo Banestado ele já havia indiciado mais de 40 pessoas em Cascavel. Em Foz, segundo ele, só uma pessoa enviava mais de R$ 400 milhões em contas CC-5. ''E quantas denúncias, quantos sequestros de bens o Ministério Público fez?'', questionou, ressaltando que o crime de lavagem de dinheiro sempre deixa rastros. ''Estava tudo lá, documentado. Ou seja, o Ministério Público não precisava ir atrás de uma pulga, mas sim de crimes 'elefânticos''', desabafou.
Celso Três também não poupou outros órgãos de conivência com as irregularidades apuradas ou com a impunidade dos envolvidos. O BC, segundo ele, tinha conhecimento diário das operações nas CC-5. ''Mas ele prevaricava e só repassava ao Ministério Público o que lhe interessava.'' Ele garantiu, ainda, que ''99% dos gerentes do banco sabiam do esquema de lavagem de dinheiro'' e cobrou do Tribunal de Contas do Estado (TCE) sua omissão ao não fiscalizar a evasão de divisas que estava ocorrendo.
Entre janeiro de 1992 e dezembro de 1998, de acordo com ele, foram feitas remessas no valor de R$ 24 bilhões para o exterior, em contas legais e ilegais.


