Brasília - Não vingou a ameaça da oposição de exigir que todos os processos contra o presidente licenciado do Congresso, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), fossem concluídos no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do Senado até dia 2. Os relatores das três ações em curso no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar apresentaram ontem prazos diferentes para a conclusão dos pareceres.
Aliado de Renan até o afastamento dele da presidência da Casa, na última quinta-feira (11), o senador Almeida Lima (PMDB-SE), relator da quarta representação (a que investiga a suposta coleta de propina em ministérios chefiados pelo PMDB), não quis se comprometer com prazo para a conclusão do relatório.
''Prazo regimental eu aceito, o que não aceito é imposição. Recebi apenas ontem (16) o processo. Os trabalhos podem durar um ano ou mais, e daí? Não posso dar garantia de que vou acabar em oito dias, 15 dias ou um ano'', afirmou.
Relator do processo considerado mais espinhoso contra Renan (o que trata da suposta compra de duas rádios e um jornal por meio de laranjas), o senador Jefferson Peres (PDT-AM) informou que concluirá o relatório até o dia 15 de novembro. Até lá, disse, analisará a defesa prévia apresentada pelo presidente licenciado do Congresso e tentará ouvir a principal testemunha do caso, o usineiro e ex-deputado João Lyra (PTB-AL).
Peres disse que vai inquirir Lyra fora do Senado, uma vez que ele não demonstrou disposição em comparecer ao Conselho de Ética e Decoro, tampouco participar de acareação com Renan. ''O depoimento do sr. João Lyra, com certeza, é importante. Ele já mandou comunicar por meio de advogados que não virá ao conselho nem para depor nem para ser acareado. Ele concorda em depor em reunião restrita ou mandar por escrito. Existem testemunhas arroladas que residem em Maceió e eu já mandei notificá-las'', disse.
Relator da segunda ação contra Renan (a que trata de suposto favorecimento da Schincariol junto ao Instituto Nacional do Seguro Social e à Receita Federal), o senador João Pedro (PT-AM) confirmou para o dia 5 a conclusão do documento. Pedro disse que pediu à Polícia Federal (PF) uma cópia do inquérito da Operação Cevada, que investigou atos de sonegação de impostos e empresas, incluindo a cervejaria.
Na semana passada, para pressionar o presidente licenciado do Senado a deixar o comando da Casa, a oposição estabeleceu prazo até o dia 2 para o término dos processos contra ele no Conselho de Ética. A quinta ação contra Renan, que trata do uso do ex-assessor Francisco Escórcio para espionar senadores, deverá ser relatada pelo senador Renato Casagrande (PSB-ES). O processo de apuração, no entanto, ainda não foi iniciado.
O corregedor do Senado, Romeu Tuma (PTB-SP), esteve anteontem em Goiânia ouvindo, em caráter sigiloso, o advogado Pedrinho Abraão. Pedrinho Abraão teria confirmado o conhecimento da montagem do suposto esquema de espionagem de Escórcio em nome de Renan para flagrar possíveis irregularidades dos senadores Demóstenes Torres (DEM-GO) e Marconi Perillo (PSDB-GO).

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